O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica admitiu, esta terça-feira, no Parlamento, que há falta de profissionais no INEM, revelando que já na próxima semana vão iniciar a formação de 116 técnicos.

Segundo os números que apresentou, em 2009 o INEM tinha 1301 efectivos. «Só que 95 por cento são operacionais e apenas cinco por cento são de backoffice. Aí há claramente um défice», disse, na audição na Comissão da Saúde, a pedido do CDS-PP.

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Abílio Gomes demonstrou a sua «preocupação com os técnicos operadores de telecomunicações de emergência (TOTE)», pelo que sublinhou a necessidade de uma nova carreira de técnicos de emergência médica, que teriam a «dupla competência de técnico de ambulância de emergência (TAE) e de TOTE».

Neste sentido, o responsável anunciou que, a partir da próxima semana, o INEM começará a dar formação a 116 TAE, com formação também de TOTE. «Assim poderemos, num prazo razoavelmente curto, aumentar os efectivos na bancada do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)», prometeu.

Confrontado pelos deputados pelas ameaças de demissão e de paralisação entre os efectivos do INEM, Abílio Gomes negou a polémica.

«O que houve foi uma preocupação legítima dos enfermeiros pela sua situação. Mas em Dezembro foi prolongado o regime de mobilidade até finais de 2010. De 84 enfermeiros, apenas cinco não renovaram», explicou.

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O presidente do INEM revelou mesmo a intenção do Ministério da Saúde em «criar um regime para os enfermeiros assente na dupla vinculação hospital-INEM», que consiste em «ancorar no hospital o vínculo, mas com uma quota de tempo de disponibilidade para trabalharem no INEM».

Deputados pouco convencidos

Teresa Caeiro, do CDS-PP, criticou a prevalência de um «regime laboral que não se compadece com a estabilidade e confiança do INEM». Clara Carneiro, deputada do PSD, lamentou a «sangria de profissionais do INEM», enquanto Bernardino Soares, do PCP, apontou «a situação de instabilidade dos enfermeiros e outros técnicos, com uma precariedade complexa».

A deputada do PS Maria Antónia de Almeida Santos desvalorizou as críticas, já que, segundo afirma, «a situação destes profissionais não era assim tão precária», porque «a maioria tinha um vínculo de origem». «Em Dezembro assinaram um novo contrato e aceitaram as condições, o que evitou o tal colapso que alguns profetas da desgraça chegaram a anunciar», referiu.
Catarina Pereira