Graça Freitas admitiu, esta quarta-feira, que tanto o Governo como a Direção-Geral da Saúde (DGS) não têm "qualquer problema" em expandir o uso obrigatório de máscara sem ser em espaços fechados. 

Não temos qualquer problema em expandir o uso de máscara, mas para isso é preciso sustentabilidade científica", referiu na conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal.  

Uma resposta que surgiu depois de ter sido questionada se em Portugal, bem como noutros países, esse cenário estaria em cima da mesa. "É uma hipótese sempre em aberto", frisou.

A Diretora-geral da Saúde lembrou ainda que tem um grupo especializado única e exclusivamente nesta matéria. 

Quanto à probabilidade de os assintomáticos trasmitirem Covid-19, Graça Freitas disse não saber exatamente "o grau de frequência com propagam a doença", mas, em contrapartida, referiu que Portugal é dos países que mais deteta assintomáticos. 

Transmissão de Covid-19 pela ar ou nos comboios? DGS desvaloriza

Depois da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter admitido que o novo coronavírus se poderia transmitir pelo ar, a DGS disse "não rejeitar" essa hipótese, mas que está a avaliar o documento que foi enviado. 

Quanto ao estudo, do qual Marcelo Rebelo de Sousa fez referência, que demonstra que "não há ligação" entre o transporte ferroviário e os surtos na região de Lisboa e Vale do Tejo, Graça Freitas desvalorizou dizendo que os estudos "valem o que valem"

É apenas um indício naquelas circunstâncias especiais, naquelas linhas específicas e naquelas freguesias" acrescentando que "carece de outros estudos". 

A Diretora-geral da Saúde lembrou ainda que os estudos devem ser contextualizados e deve ter-se em conta a base com que foram realizados. 

Reforçou que os casos de infeção são mais facilmente transmitidos em ambientes fechados, sem luz natural, com humidade e sem circulação de ar. 

Grupo de trabalho para a dispensa de medicamentos

Jamila Madeira anunciou esta quinta-feira que foi criado um grupo de trabalho, comandado pelo Infarmed, que tem como objetivo apresentar uma proposta de dispensa de medicamentos hospitalares em farmácias comunitárias. A equipa terá 60 dias para produzir resultados.

Decidimos criar um grupo de trabalho liderado pelo Infarmed, que vai apresentar uma proposta a respeito de uma eventual transferência de determinados medicamentos, com prova de eficácia e segurança e já com genéricos comercializados, para potencial alteração da dispensa em farmácia hospitalar, para dispensa em farmácia comunitária, e produzir resultados em 60 dias”.

Essa dispensa vai ter áreas dedicadas, vai funcionar mediante marcação para o levantamento ou através do serviço entrega ao domicílio ou qualquer outro sítio da preferência do doente. 

Este grupo deve desenvolver uma proposta com o envolvimento dos parceiros e das ordens profissionais que estruture um modelo de circuito de prescrição, gestão e dispensa a adotar pelas instituições do SNS, centrado nas preferências do doente relativamente ao local de dispensa”, declarou.

Rui Santos Ivo, presidente do Infarmed, esclareceu ainda que esta medicação está relacionada com o tratamento de doenças como o HIV, esclerose múltipla, transplatação e doenças oncológicas. 

O especialista referiu ainda que alguns destes tratamentos poderão passar a ser dispensados definitivamente nas várias farmácias, mas que essa decisão vai ser primeiramente avaliada. 

Cerca sanitária em Reguengos de Monsaraz

Graça Freitas deixou claro na conferência de imprensa que não está a ser equacionada a implementação de uma cerca sanitária em Reguengos de Monsaraz, uma vez que as medidas de contenção têm de ter feitas "à volta de focos e não à volta de um território"

Neste momento, a questão das cercas sanitárias têm um contexto diferente daquele que se falou no início. (...) À medida que a epidemia foi evoluindo aqui, e  noutros países, o que se tem feito são ações ao nível micro (...) Em vez de ser afetar um território todo, ir diretamente às áreas afetadas, seja uma rua, seja uma freguesia, seja um prédio". 

Sobre as eventuais comemorações caso o Futebol Clube do Porto venca o campeonato nacional de futebol, a Diretora-geral da Saúde disse que qualquer efeméride deve ser assinalada tendo em consideração as recomendações do Governo e da DGS. Ou seja, evitanto ajuntamento e utilizando máscara.

Na mesma linha, Jamila Madeira disse que "a celebração deste campeonato terá de ser feita de forma menos efusiva"

Cláudia Évora