O confinamento deve durar até à Páscoa, mais tempo do que os 60 dias anunciados na terça-feira pela ministra da Saúde, Marta Temido, na reunião de especialistas no Infarmed sobre a situação epidemiológica no país.

O segundo confinamento deveria terminar a 22 de março, segundo as contas de Marta Temido, mas o Governo estuda a possibilidade de prolongá-lo até 4 de abril, domingo de Páscoa, apurou o jornal Público. Uma decisão que, aliás, já estaria a ser ponderada antes do encontro com os especialistas, que terá servido de confirmação.

Na reunião no Infarmed, que juntou, como habitualmente, investigadores, o primeiro-ministro, o Presidente da República, ministros, partidos, confederações patronais, estruturas sindicais e conselheiros de Estado, António Costa admitiu aos presentes que o confinamento poderá terminar somente no final de março.

O próprio PSD, através do deputado Maló de Abreu, revelou, no final, aos jornalistas que o primeiro-ministro disse que o confinamento "vai prolongar-se até ao final de março".

Publicamente, o primeiro-ministro considerou, apenas, que o confinamento está a produzir resultados contra a covid-19, mas que é necessário prolongá-lo.

Esta posição foi transmitida por António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter, após a reunião.

Com a Páscoa termina, ainda, o segundo período letivo, que tem estado a decorrer à distância.

O regresso às aulas pós-férias está previsto para 6 de abril, sendo que alguns diretores de agrupamentos escolares informaram desde logo os pais que as escolas deveriam estar encerradas "pelo menos" até ao final do segundo período, de acordo com um documento a que a TVI teve acesso.

Na reunião no Infarmed, um dos especialistas, o epidemiologista Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), disse que o confinamento deve manter-se até que o número de camas nos Cuidados Intensivos baixe dos 200, sendo que, atualmente, há 862 doentes covid em UCI.

Precisamos de manter estas medidas de confinamento por um período de dois meses para trazer o número de camas ocupadas em cuidados intensivos abaixo das 200 e a incidência acumulada a 14 dias abaixo dos 60 casos por 100 mil habitantes”, defendeu Baltazar Nunes, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião.

Redação / CM