Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, falou esta quarta-feira sobre o aumento do número de agressões aos profissionais da saúde em Portugal e do alastrar do surto de coronavírus. Na TVI24, o bastonário questionou se o Governo “cumpre a lei” em termos de segurança pública.

Ao falar sobre o número de agressões aos médicos, Miguel Guimarães relata uma situação que considera ser “apenas a ponta do iceberg”. Muito médicos, vítimas de violência física e psicológica, acabam por “não fazer qualquer notificação”.

A verdade, é que as pessoas vão perder tempo a fazer a notificação, e depois, a conclusão que tiram é que isto não serve para nada”, explicou. “Esta imagem é passada pelo poder político em Portugal”.

O bastonário questionou a atuação do Governo perante os dados, que mostram um claro aumento do número de casos de violência. “O que é que se tem feito com os dados da Direção-Geral da Saúde? Que medidas foram tomadas pelo Governo para prevenir este tipo de fenómenos?”, questionou.

Será que o Governo está a cumprir a lei, em matéria de segurança pública?”, perguntou. “Este é o momento de exigir que o Ministério da Saúde aplique as regras que já existem, como a segurança no local de trabalho, por exemplo”, afirmou.

Outro dos problemas que exigem resposta, segundo Miguel Guimarães, é o tempo entre consultas. “Nós não podemos ter consultas de cinco em cinco minutos, como acontece em muitas unidades de saúde. Isto, por si só, gera algum conflito”, garantiu.

A propósito do coronavírus, Miguel Guimarães reafirmou a sua confiança nos hospitais portugueses em dar uma resposta adequada à situação. Algumas unidades de saúde estão “devidamente preparadas para este tipo de situações”, no entanto, para o bastonário, o importante é não deixar o vírus chegar a Portugal.

É importante que o Governo conseguisse trazer os portugueses para o nosso país”, insistiu. “Há muita intranquilidade, por parte de quem está no epicentro do fenómeno, em Wuhan”, disse Miguel Guimarães.

As autoridades de saúde chinesas anunciaram 5.974 casos de contaminação confirmados e 132 mortos, na China continental. “Vamos ver se é possível conter esta epidemia. Estou confiante que isso aconteça”, sublinhou.

Ninguém estava à espera disto”, garantiu. “No futuro, vamos ter estes desafios. Os vírus vão continuar a ser um grande desafio que vamos ter que enfrentar, sempre da forma mais rápida possível”, explicou.

/ JGR