O médico pneumologista Filipe Froes afirmou que a "ausência de prova" de que o coronavírus se transmite através das superfícies não significa que o vírus não se transmita através das superfícies. Numa entrevista conduzida por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI, esta segunda-feira, o médico comentou, desta forma, o estudo da Organização Mundial de Saúde que indica que não há dados conclusivos de que o vírus se transmite através de objetos ou superfícies.

O que verificamos é que a ausência de prova de que não se transmite em superfícies não significa que o vírus não se transmite em superfícies", vincou.

Filipe Froes fez uma analogia com um paraquedas: nunca ninguém fez um ensaio com pessoas a saltarem de um paraquedas e pessoas a saltarem sem paraquedas, mas a "ausência de prova de eficácia do paraquedas não significa que o paraquedas é ineficaz".

 Se recordarmos, a OMS fez este discurso há cinco, seis semanas sobre as máscaras. Estamos a confundir ausência de prova de transmissão com prova de não-transmissão. Vou-lhe dar um exemplo: não existe nada que prove que os paraquedas são seguros porque ninguém fez um ensaio em que 100 pessoas saltam com paraquedas e 100 pessoas saltam sem paraquedas para ver o que acontece. Em termos científicos é isto que se exige, a ausência de prova de eficácia do paraquedas não significa que o paraquedas é ineficaz."

O que o estudo pode demonstrar, frisou, é que "a transmissão que se pensava que podia ocorrer não é tão grande".

Podendo haver menor risco de transmissão nas superfícies, não o vamos eliminar. Vamos continuar a lavar as mãos e a lavar as superfícies", apelou.

Questionado ainda sobre o risco de infeção nas crianças, o pneumologista destacou que "o risco de infeção é menor do que pensávamos" porque a infeção está diretamente relacionado com a existência de recetores que aumentam com a idade e que, a partir dos 12 anos, também existem mais nos rapazes do que nas raparigas.

Isto explica que a forma de gravidade é sempre maior nos homens e os homens constituem um fator de risco para a infeção."

No entanto, Filipe Froes deixa o alerta: "o fator de transmissão nas crianças é menor, mas não é nulo".

Por isso, e apesar dos "dados tranquilizadores", o médico considera que é preciso "manter a prudência" nas relações entre avós e netos e que o melhor é sempre optar pela "prevenção".

É preciso manter a prudência entre avós e netos. Estes dados são tranquilizadores, mas é preciso salvaguardar a saúde dos avós. É mais tranquilizador, mas não é eliminador de risco."

Sofia Santana