A segunda vaga da pandemia de covid-19, que se estimava ocorrer no outono ou no inverno, parece ter sido antecipada em alguns diversos europeus. Quem o diz é o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

Em declarações à TVI24, Ricardo Mexia analisou o aumento dos casos de Covid-19, registados nos últimos dias em França, Itália e Espanha.

Há, de facto, um crescimento importante e que nos deixa a todos apreensivos”, constatou o especialista.

Já sobre o crescimento no número de novos casos em Portugal, Ricardo Mexia admite que "Portugal tem tido sempre um certo atraso em relação a outros países", e que este poder ser um fator essencial para implementar medidas de contenção mais eficazes.

O especialista destaca, no entanto, que “infelizmente nós sabemos que, com o retomar de um conjunto atividades, como a letiva, que é plausível que aumente a circulação" do vírus no país.

A chave é conseguir evitar que esse crescimento não seja descontrolado e entrarmos em situações de colapso", adiantou.

"Ainda é cedo para tirar conclusões sobre a perda da imunidade"

Ricardo Mexia analisou os três casos de reinfeção por covid-19, registados recentemente em Hong Kong, Bélgica e Países Baixos.

O especialista alertou para o facto de que estes números têm de ser “encarados com muita cautela”.

São muito poucos casos de reinfeção em muitos milhões de infetados no mundo", justificou.

No entanto, Mexia admite que estes casos “são algo que nos deixa apreensivos, caso se venha a generalizar na população”

Por outro lado, à medida que vamos progredindo na pandemia, vamos ter mais dados para analisar a imunidade ao novo coronavírus.

Ricardo Mexia destacou que o caso de reinfeção registado em Hong Kong é de uma estirpe diferente da doença e “há também esse facto a ter em conta”.

Também neste caso, a reinfeção surgiu sem sintomas e, por isso, é algo “que não inspira cuidados”.

Rafaela Laja