O primeiro-ministro apresentou esta quinta-feira o plano de desconfinamento, que abrange um horizonte até 3 de maio, com a esperada reabertura da sociedade a ser feita de duas em duas semanas, sempre que os indicadores epidemiológicos o permitam.

Para se guiar, o Governo propõe uma espécie de semáforo com base no rácio entre a evolução do índice de transmissiblidade (Rt) e a contagem de casos por 100 mil habitantes.

Basicamente, o semáforo está no verde quando o valor do Rt for inferior a um e o número de casos por 100 mil habitantes a 14 dias estiver abaixo de 120. Este será o nível um de perigo, e aquele que Portugal deseja para manter o desconfinamento em progressão.

No nível dois, pressupõe-se que o Rt sobe acima de 1, mas que o país continua abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes.

Neste momento,e segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, ambos esses parâmetros estão abaixo do limite, ainda que o Rt esteja a aumentar.

No nível três o Rt está ainda abaixo de 1, mas o número de casos por 100 mil habitantes já é superior a 120.

Por último, o nível quatro tem os dois indicadores acima do desejado.

Sobre quais as consequências dos diferentes níveis: 1, 2, 3 e 4, António Costa disse apenas que as medidas previstas seriam revistas caso se passasse do nível 1.

Para explicar este quadro, o especialista da Direção-Geral da Saúde, André Peralta Santos, esteve no Jornal da Uma, onde referiu que a avaliação de risco da pandemia é feita em "dois eixos principais".

Sucintamente, um Rt superior a um indica uma fase crescente da pandemia, algo que o Governo pretende evitar a todo o custo.

Quando estamos a descer e com uma incidência baixa, as medidas impostas são suficiente", explicou, frisando que é uma situação que se verifica atualmente.

André Peralta Santos explica que o nível 3 não é necessariamente mais grave que o nível 2, apenas significam momentos diferentes da situação epidemiológica.

O que acontece é que, no nível 3, as medidas em práticas são suficientes, mas é necessário dar tempo para que comecem a fazer efeito.

No nível 3 as medidas são suficientes, só precisamos de esperar que o número de novos casos desça para nos dar segurança", referiu.

O grande objetivo do Governo passa por ter uma incidência controlada, por forma a evitar ao máximo o stress dos serviços de saúde. 

António Guimarães