Portugal entra na próxima segunda-feira na segunda fase de desconfinamento. Os alunos do 2.º e 3.º ciclos regressam às aulas presenciais, as esplanadas e lojas até 200 metros quadrados podem voltar a abrir, bem como ginásios e museus.

Para o especialista Bernardo Gomes, que é médico de saúde pública, o novo passo não será particularmente negativo no aumento da transmissão e do registo de novos casos de covid-19.

É uma questão de camadas. Obviamente que vamos aumentar o contacto, que vamos ter uma subida do Rt (índice de transmissibilidade, mas não me parece que existam motivos para preocupação", referiu.

Apontando no mesmo sentido que o primeiro-ministro, que pediu especiais "cautelas" para 19 concelhos onde a incidência (casos por 100 mil habitantes) está mais elevada, o médico afirma que esta poderá ser uma altura em que "a luta vai ser muito mais local que nacional".

Para isso, Bernardo Gomes pede uma mobilização de meios, para que não se perca tempo. Um dos meios necessários será a capacidade de testagem e de rastreio. 

Sobre a recente subida do Rt, o especialista diz que isso pode não se refletir da mesma forma em todo o país: "É preciso estar atento para que um problema local não seja um problema regional".

Questionado sobre os atuais números da covid-19 em Portugal, quando a Europa caminha num sentido inverso, Bernardo Gomes lembra que em janeiro o cenário era diferente: "Tivémos um mês para esquecer".

Para os próximos meses, Bernardo Gomes pede "esperança e cautela", insistindo na necessidade de uma avaliação local.

O meu principal pedido é velocidade, velocidade, velocidade. Se alguma coisa não estiver a correr bem em algum sítio, não aguardem", apelou.

António Guimarães