O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) recomenda a suspensão de aulas presenciais nas faculdades de Medicina, hospitais e centros de saúde e encerrar espaços comuns dos estudantes num prazo de “pelo menos duas semanas” a partir desta segunda-feira.

As recomendações deste órgão consultivo resultam de uma reunião do CEMP para avaliar a necessidade de medidas preventivas face à epidemia de Covid-19, que decorreu esta segunda-feira, por videoconferência, e “serão mantidas pelo prazo de pelo menos duas semanas, a contar da presente data sendo sujeitas a avaliação periódica em função da evolução da situação em Portugal”.

“No contexto do evoluir da situação em Portugal e atenta a uma crescente necessidade de medidas de prevenção face à Covid-19, em particular, considerando a grande mobilidade de estudantes e docentes em ambiente hospitalar, e sem prejuízo de garantir a autonomia de cada Escola em relação à sua realidade específica”, o CEMP decidiu recomendar a suspensão “desde já”, de “todas as atividades letivas presenciais nas escolas e nos hospitais e centros de saúde associados”.

O conselho recomenda ainda “encerrar os espaços normalmente utilizados pelos estudantes (bibliotecas, salas de estudo, outros)”.

Para mitigar os efeitos da suspensão das aulas presenciais, o CEMP recomenda que se adote o ensino à distância e para minimizar as possibilidades de contágio o conselho recomenda ainda nas áreas de investigação “atividades mínimas em laboratório” e a redução “sempre que possível” de atividades presenciais em instalações.

Sobre como será feita a recuperação de aulas práticas, o presidente do CEMP e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto, disse que será uma questão a avaliar em conjunto com a tutela.

Procuraremos colmatar isso, o que terá que ser visto depois com a tutela também, de que forma se vai compensar este tempo, eventualmente entrando pelos meses de verão, mas depois terá que ser visto em função da dimensão que o problema vai ter”, afirmou.

O CEMP decidiu também recomendar uma “mudança de legislação que permita, nas provas académicas e nos concursos em que não seja possível adiar as reuniões já agendadas, a participação por videoconferência”.

As recomendações do CEMP não têm caráter vinculativo, mas tiveram a “concordância total” dos diretores das faculdades de Medicina do país na reunião, disse à Lusa Fausto Pinto, referindo que são já várias as que optaram pela suspensão de aulas presenciais e contactos hospitalares com doentes.

Face às características da epidemia e à incerteza na sua evolução, o CEMP vai fazer avaliações periódicas e tomando decisões em consonância, explicou o professor Fausto Pinto, que admitiu que o conselho está “a acompanhar com grande apreensão o que se passa em Itália”.

Estamos a tentar ter medidas de contenção que nos façam não evoluir para situações tão dramáticas como a que está a ser vivida em Itália, estamos a tentar - e daí as nossas recomendações para as faculdades de Medicina, que têm características um bocadinho especiais, que funcionam em ambiente hospitalar. Nesse sentido, estamos a procurar o mais precocemente possível ser proativos”, disse.

“A decisão é para que nas em que não existe nenhum caso se poder já proativamente tomar medidas que sirvam para conter este problema, que é um problema grave, é um problema sério, com a responsabilidade e a consciência de que este é o momento para agir”, acrescentou.

As faculdades de Medicina da Universidade do Minho e da Universidade do Porto suspenderam as aulas e os contactos com doentes.

As aulas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto estão suspensas e todos os seus estudantes estão interditados de circular no edifício do Hospital de São João. Também foram suspensas as atividades de formação – aulas, estágios e visitas de estudo – com a participação de profissionais do Centro Hospitalar Universitário de São João.

As instalações partilhadas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto vão permanecer encerradas até 20 de março.

Cerca de 90 estudantes da Universidade do Minho estão em quarentena profilática voluntária nas residências da academia em Braga, por terem estado em contacto com um aluno infetado com o novo coronavírus.

Em Lisboa, as faculdades de Medicina da Universidade de Lisboa e da Universidade Nova de Lisboa suspenderam o contacto dos alunos com doentes.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro e desde então foram infetadas mais de 110 mil pessoas, mas a maioria já recuperou. A doença provocou até ao momento cerca de 3.800 mortos.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 366 mortos e mais de 7.300 contaminados, estando neste momento cerca de 16 milhões de pessoas em quarentena no Norte do país.

Em Portugal há registo de 30 casos confirmados de infeção, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado no domingo.

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