O número de casos detetados em Portugal continua a aumentar. O infeciologista Jaime Nina veio à TVI, ao programa Covid-19 Consultório, responder a algumas das perguntas que mais preocupam os portugueses

O número de infetados em Portugal subiu para 78, esta quinta-feira. Numa altura em que o Governo começa a intensificar as medidas de contenção do vírus, o infeciologista Jaime Nina sublinhou, esta quinta-feira, que “as medidas de contenção que foram tomadas nos últimos dias ainda não tiveram impacto”.

Só daqui a uma semana é que podemos apreciar o impacto das medidas de contenção que estão a ser tomadas”, explicou.

Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, disse que há mais casos do que os reportados, uma vez que, entre o momento em que é feito o boletim e o momento em que é publicado, surgem novos casos.

Para o médico, neste momento, é difícil avaliar o número de casos, devido aos doentes que não apresentam sintomas. “Se a pessoa tem 37,5 e uma tosse, a primeira coisa que pensa não é que possa ter Covid-19”, explica.

Se trabalha numa área em que está obrigado a lidar com o público, como é o caso da área da restauração, que perigos existem? Jaime Nina explica que, com base no conhecimento que existe sobre a doença, a vasta maioria dos doentes foi contagiada através do contacto próximo, com familiares e com colegas de trabalho.

A esmagadora maioria dos casos infetados tiveram um contacto mais próximo com as pessoas. Não foi o contacto casual num café, muito menos em espaços abertos”, vincou.

E as pessoas que trabalham com o transporte de passageiros?

Se alguém entra no táxi e começa a tossir, o motorista deve colocar imediatamente uma máscara e sugerir à pessoa para pôr a máscara”, esclareceu.

Uma espetadora, cujo marido é farmacêutico, questionou o infeciologista acerca dos cuidados que estes profissionais devem ter.

Eu estou na linha da frente. Todos os dias entram doentes a tossir nos hospitais. Por isso, o que eu posso sugerir é o mesmo que eu faço, usem máscara”, sublinhou.

O médico admitiu que, entre médicos, existe “um certo nervoso”, particularmente entre quem está “na linha da frente”. Jaime Nina sublinha o risco que existe por quem lida diariamente com doentes e está obrigado a trabalhar.