O número de casos de infetados do novo coronavírus continua a aumentar. Ao todo, são já 59 os casos confirmados em Portugal, com 83 pessoas a aguardar o resultado das análises e 3066 em vigilância. Esta quarta-feira, no programa Covid-19 Consultório, o cardiologista Manuel Pedro Magalhães respondeu a algumas das perguntas que mais preocupam os portugueses.

Foram 18 os casos confirmados esta quarta-feira, em Portugal. Para o cardiologista e diretor clínico, este é um cenário que é encarado “com alguma naturalidade”, uma vez que era previsto um “aumento progressivo” do número de casos, com base no que se pode observar nos países afetados.

Antes de responder a algumas das questões feitas pelos espetadores, Manuel Pedro Magalhães aproveitou para apelar às boas práticas dos cidadãos, tal como ao bom senso.

Compete a nós cidadãos, traçar uma história diferente deste vírus. Se cada um de nós se comportar como se estivesse doente sem estar com a doença ativa, se estivermos mais em casa, se evitarmos saídas desnecessárias, festas, aglomerações de população e idas aos centros comerciais, podemos modificar esta evolução [do vírus]”, sublinhou.

Quanto maior o número de encontros maior a probabilidade de contágio, alerta. “Só fazer aquilo que é extremamente necessário fora de casa”.

Na China, 40% das pessoas que tiveram de ser internadas tinha problemas cardiovasculares. Apesar de o vírus não escolher “pessoas porque têm doença cardiovascular” ou qualquer outro tipo de doença, os doentes cardiovasculares estão particularmente vulneráveis caso contraiam o vírus.

O vírus ataca principalmente os pulmões e dificulta o ato respiratório. O coração, que é o órgão que bomba o sangue para os pulmões, terá que fazer um esforço maior para bombear esse sangue”, explicou.

São precisamente os doentes cardiovasculares e as pessoas com diabetes, entre outros pacientes com condições prévias, aqueles que têm uma tendência para o agravamento do vírus. “75% das pessoas que morreram, na China, tinham condições prévias”, recordou.

Doentes cardiovasculares têm menos “robustez” para combater doenças de natureza inflamatória e, por isso, “têm de evitar o mais possível a ida seja a onde for a menos que seja mesmo necessário”.

Muitos portugueses ainda se questionam sobre a gravidade do vírus. Um telespectador questionou o cardiologista sobre se “o coronavírus é tão grave como dizem?”. Manuel Pedro Magalhães desmistificou: “é um vírus mais agressivo do que o da gripe”.

Não é uma questão de opinião, é um facto epidemiológico, este vírus é grave. Este vírus obriga a mais internamentos hospitalares e tem como consequência maiores complicações”, explicou.

E o pico da gripe? Ainda está para vir? Ao que tudo indica, sim, “ainda não estamos no pico máximo de transmissão”.

A minha sugestão enquanto médico é que, se nós modificarmos o nosso comportamento, podemos fazer com que esse pico seja menor e ocorra o mais precocemente. “Temos que pensar que nos pode acontecer a nós”, vincou.

/ JGR