O programa Covid-19 Consultório acompanha ao detalhe a progressão do novo coronavírus, num dia em que Portugal verificou o maior aumento do número de vítimas mortais em 24 horas. São já 60 mortos e 3.544 casos confirmados em Portugal.

O médico de saúde pública Ricardo Mexia juntou-se esta quinta-feira ao programa Covid-19 Consultório para esclarecer as mais relevantes questões relativas à pandemia gerada pelo novo coronavírus.

Também Telmo Semião foi convidado esta quinta-feira-feira ao programa para responder a perguntas relativas aos direitos e deveres dos trabalhadores em tempo de estado de emergência devido à pandemia de Covid-19. 

Quem pode aceder à suspensão do pagamento das prestações da hipoteca da casa ao banco?

A ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira anunciaram esta quinta-feira um conjunto de medidas extraordinárias como resposta à pandemia de Covid-19.

O que foi anunciado foi esta moratória de seis meses no pagamento dos empréstimos ao banco. Ou seja, as pessoas que nos próximos seis meses teriam de pagar a prestação da sua casa ao banco, verão esse pagamento suspenso. Isto é, não paga agora, mas pagará daqui a seis meses”, explicou o especialista em direito do trabalho, Telmo Semião.

“Quanto a quem pode aceder, o Governo não foi muito claro”, mas segundo as informações prestadas pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, apenas algumas pessoas em casos concretos poderão aceder à suspensão, como as pessoas que se encontram desempregas ou protegidas ao abrigo do regime do Lay-off.

Telmo Semião sublinha que, no entanto, é preciso esperar pela publicação do Decreto de Lei para perceber com mais detalhe que serão as pessoas abrangidas pela medida. Ainda assim, é provável que se aplica a pessoas afetadas pelo impacto económico do Covid-19.

Quais são os novos apoios hoje aprovados pelo governo para os pais de crianças com menos de 12 anos?

O Conselho de Ministros alargou esta quinta-feira a justificação de faltas de trabalhadores com filhos ao período das férias da Páscoa, mantendo a prestação extraordinária neste período de interrupção letiva apenas para creches fechadas devido à pandemia da Covid-19. Telmo Semião esclareceu de que forma essas medidas vão afetar os pais.

Para os pais de crianças que frequentem creches, o apoio de faltas justificadas e pagas a 66%, durante o período em que a creche se mantenha encerrada, manter-se-á”, explicou.

 

Não se tendo dito mais nada em relação aos outros casos, pressupõe-se que se mantém o regime em vigor. O que significa que, durante o período de férias escolares, não há nenhum tipo de apoio de faltas justificadas.

Telmo Semião sublinhou ainda que as pessoas que cuidam de pais e avós que frequentem lares que estejam encerrados podem beneficiar deste regime de faltas remuneradas.

As máscaras feitas em casa funcionam?

O aumento da procura de máscaras cirúrgicas fez com que estas desaparecessem das prateleiras das farmácias. Várias pessoas começaram a fabricar as suas próprias máscaras, algumas delas de papel. O médico de saúde pública Ricardo Mexia explicou que, apesar de oferecer alguma proteção, essa solução está longe de ser a ideal.

Há vários estudos que estão a ser feitos para identificar matérias alternativas para que possam ser feitas máscaras, face à carência que temos. Para já não há nenhuma indicação de qual o material mais seguro. Temos que estudar qual o melhor material para substituir essas máscaras.”

 

Ricardo Mexia sublinhou que, no caso das máscaras cirúrgicas, é preciso ter em conta que estas são mais úteis para evitar contagiar outras pessoas do que para não ser infetado.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou uma posição mais “liberal” em relação ao uso de máscara. Inicialmente, a organização afirmou que as máscaras deveriam ser utilizadas por pessoal médico. Agora, a posição oficial é de que qualquer pessoa deve utilizar a máscara, se possível.

As barbearias e cabeleireiros não podem trabalhar à porta fechada, recebendo uma pessoa só de cada vez e utilizando as normais luvas, máscara e desinfetantes? Podem as barbearias trabalhar à porta fechada?

Muitas pessoas se têm questionado de como poderão cortar o cabelo, uma vez que os cabeleireiros são uma das profissões consideradas não essenciais. Telmo Semião explicou que, sendo uma das áreas de atividade que se encontra encerrada por ordem do Governo, não poderá estar operacional “nem mesmo com a entrada faseada dos clientes”.

Nesta fase mais crítica, o “cerco” terá de ser mais apertado?

Portugal entrou na fase de mitigação, a mais complicada, que pressupõe uma incapacidade em detetar as vias de contaminação do vírus. Muitas pessoas apelam à tomada de medidas “mais musculadas” e uma quarentena generalizada para tentar conter a disseminação do vírus.

Há pouco menos de uma semana, o Governo aprovou as medidas a tomar no estado de emergência. O que não quer dizer que, da mesma forma que aconteceu em Ovar, não se possa aplicar o mesmo tipo de medidas noutro tipo de locais, mas, para já, não está previsto que tal aconteça”, afirmou Telmo Semião.

 

Já para Ricardo Mexia, essa é “uma questão que se coloca”. O médico de saúde pública relembrou os exemplos de alguns países onde foram tomadas medidas “muito extensas” que acabaram por permitir a redução do número de casos num período de tempo relativamente curto, em comparação com Itália ou Espanha.

Até que ponto é que não é mais eficiente fazer agora medidas mais abrangentes durante um período mais curto, para que possamos abrandar e permitir às pessoas que possam progressivamente retomar as suas atividades”, questionou Ricardo Mexia

Os perfumes e aftershaves podem ser alternativa ao álcool?

Outro dos materiais que registou o maior aumento na procura foi o gel desinfetante e o álcool etílico. Também nessa área várias pessoas tentam encontrar alternativas para desinfetar as mãos.

O que nós estamos a recomendar são soluções à base de álcool com um teor de 70%. Portanto, temos de aferir se os perfumes têm esse nível de álcool que permita uma desinfeção adequada”, disse.

No entanto, admite que, caso se chegue a uma fase onde “não há mais alternativas”, poderá ser uma solução. Ricardo Mexia insiste ainda que o ideal é mesmo lavar as mãos com água e sabão, uma vez que esse método é suficiente.

/ JGR