A Europa é o novo epicentro do novo coronavírus. Em Portugal o número de infetados subiu para 112 e o número de suspeitos subiu para 1308. Existem, ainda, mais de cinco mil pessoas em situação de vigilância.

Ricardo Mexia, da Associação de Médicos de Saúde Pública, veio esta sexta-feira ao programa Covid-19 Consultório, onde analisou a evolução dos números em Portugal e respondeu às perguntas que mais preocupam os portugueses. Para o médico, este é um cenário que deixa as autoridades de Saúde “muito apreensivas”.

São mais de cinco mil pessoas em vigilância e mais de 1300 suspeitos, algo que, tendo em conta os casos dos outros países, “são dados muito preocupantes”.

Estamos muito apreensivos com este cenário”, confessou.

Portugal tem uma população muito envelhecida e o novo coronavírus é particularmente letal nesse grupo etário. Um dos espetadores da TVI questionou Ricardo Mexia sobre que cuidados este grupo de risco deverá ter caso julguem estar infetados.

As pessoas com uma idade mais avançada devem ter uma cautela adicional. Não devem frequentar espaços com grandes aglomerações de pessoas, principalmente de doentes, evitando as visitas aos hospitais. Lavar as mãos por, pelo menos, 20 segundos”, explicou.

Caso sinta algum sintoma, como a febre, tosse e dificuldade respiratória, o primeiro passo deverá sempre passar por ligar à Linha de Saúde 24 e evitar a deslocação a um hospital, onde poderão contactar com infetados.

Muitas pessoas questionam-se sobre a capacidade de resposta dos hospitais portugueses ao surto do novo coronavírus. Ricardo Mexia afirmou que é notório que existe falta de recursos no Sistema Nacional de Saúde, algo que o torna “pouco flexível” e, para dar conta de todos os casos, é necessário “disponibilizar mais recursos”.

Podemos ter que prescindir de atividades não essenciais, como a consulta externa. Ou, no caso da atividade operatória, prescindir das cirurgias que não são urgentes”, vincou.

Para isso, é necessário que a Linha SNS24 consiga dar resposta a todas as pessoas que a tentam contactar. “Este aumento da procura levou a que a plataforma não tivesse capacidade de resposta em tempo útil para todas as chamadas”, referiu.

Uma das perguntas mais frequentes colocadas pelos portugueses à TVI é se quem já foi infetado pelo vírus uma vez, pode voltar a ficar contaminado. Para Ricardo Mexia, o facto de este vírus “não ter dois anos”, mas sim dois meses, faz com que seja difícil analisar dados que permitam responder a essa pergunta.

A evidência não é muito robusta, nem num sentido, nem noutro. Há necessidade de ter cautela, os cidadãos que já contraíram a doença têm que ter cuidados como qualquer outro cidadão”, explicou.