A vacinação contra a covid-19 deve manter-se mesmo num cenário de novo confinamento em Portugal, face ao agravamento da pandemia, defendeu esta sexta-feira o coordenador da ‘taskforce’ nomeada pelo governo.

Espero que haja condições para manter o processo de vacinação como uma exceção a esse confinamento, embora a prioridade nas próximas duas ou três semanas continuará a ser, claramente, a vacinação em lares e entidades de cuidados continuados. Portanto, a questão de confinamento não coloca especiais preocupações”, afirmou Francisco Ramos à agência Lusa, sobre o cenário já admitido na quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa.

“Se, de facto, isso vier a ocorrer ainda quando começar a vacinação nos centros de saúde, a expectativa é que possa ser considerada uma exceção - como há outras - e que as pessoas possam dirigir-se aos pontos de vacinação para assim a concretizarmos”, observou ainda o responsável da ‘taskforce’ de vacinação contra a covid-19.

Com a intensificação da pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), derivada dos novos máximos de casos e internamentos hoje atingidos, Francisco Ramos manifestou a esperança de que a situação não venha a condicionar nas próximas semanas a disponibilidade de profissionais de saúde para a administração de vacinas.

Esperemos que não. A situação não é fácil, mas que nos permita em termos de plano de vacinação continuar a executá-lo para que daqui a alguns meses possamos ter o resultado desse processo”, notou, assinalando a adesão à vacina superior a 90% entre os profissionais de saúde e os residentes em lares e internados em unidades de cuidados continuados, confirmando a “expectativa positiva” das autoridades no arranque da primeira fase.

Francisco Ramos não confirma total aproveitamento das doses

O coordenador da ‘task force’ de vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, admitiu esta sexta-feira que o aproveitamento de uma sexta dose por cada frasco da vacina da Pfizer-BioNTech não ocorreu em todos os pontos de vacinação em Portugal.

Não consigo confirmar isso. A vacina foi aprovada com uma organização de cinco doses por frasco e apenas hoje, 08 de janeiro, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) – que é a entidade competente – aprovou a sexta dose por frasco”, afirmou, acrescentando: “Até hoje, temos boa parte dos pontos de vacinação a utilizarem seis doses, mas outros, de uma forma conservadora, ainda cinco doses”.

Francisco Ramos disse à Lusa que não existiu, no entanto, “desperdício” de vacinas desde o início da administração no país, em 27 de dezembro, lembrando que a utilização de seis doses por frasco já tinha sido aprovada no final do ano pelo regulador norte-americano e que a própria Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) já tinha emitido “uma circular a dizer que isso era possível”, desde que cada dose contivesse a quantidade certa de vacina.

Haveria potencialmente uma sexta dose, mas, do ponto de vista formal, agora é que podemos assumir que é possível administrar a vacina a seis pessoas com um frasco. Acho que não há nenhum desperdício, há sobretudo um enorme ganho daqui para a frente. Na prática, vai permitir acelerar o processo de vacinação”, frisou.

Questionado sobre as consequências imediatas da decisão hoje anunciada pela EMA, Francisco Ramos explicou que a alteração do número de doses por frasco da vacina da Pfizer-BioNTech “vai formalizar uma situação que já poderia estar a ser praticada e que já estava a ser praticada, [mas] não de uma forma universal”.

Quanto à ausência de uma norma sobre esta matéria por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS), face à existência de uma orientação já divulgada pelo Infarmed, o responsável da ‘task force’ constituída pelo governo para gerir o processo de vacinação contra a covid-19 ilibou o organismo liderado por Graça Freitas de qualquer responsabilidade e vincou que “a norma que estava em falta foi aquela que a EMA hoje disponibilizou” e que vai formalizar o processo.

A informação oficial que tinha sido difundida e utilizada nos processos de formação das pessoas só podia ter sido uma: cada frasco de vacina é para utilizar para cinco administrações”, referiu, sem deixar de mencionar sobre a nota do Infarmed que, “provavelmente, é bem possível que no dia 30 de dezembro não tenha chegado a todos os pontos de vacinação”.

Num comunicado divulgado hoje, o Ministério da Saúde esclareceu que, por orientação do Infarmed, os profissionais de saúde já retiravam seis doses de cada frasco da vacina da Pfizer-BioNTech, “desde que fosse sempre verificado e assegurado o volume de 0,3 mililitros (ml) previamente a cada administração”. O esclarecimento surgiu depois de o jornal Expresso avançar que a falta de uma norma da DGS estava a fazer desperdiçar a 6.ª dose.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 1.899.936 mortos resultantes de mais de 88 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7.590 pessoas dos 466.709 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde e o estado de emergência decretado em 09 de novembro para combater a pandemia foi renovado com efeitos desde as 00:00 de 08 de janeiro, até dia 15.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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