Este sábado traça o quarto dia em que Portugal regista mais de nove mil casos em 24 horas, um avanço da pandemia que foi correspondido com medidas restritivas de circulação e recolhimento obrigatório.

Os números evidenciam uma realidade bastante distinta daquela vivida em abril e até em novembro, quando o pico de infeções foi evidenciado no dia quatro, com 7.497 novos infetados em 24 horas.

 

 

Uma comparação entre os primeiros nove dias do mês de novembro e de abril revela uma média de novas infeções diárias de 4.682 e de 878, respectivamente. No mesmo período, o mês de janeiro denota até ao momento uma média de 7.813 novos casos de doença diários.

Virologistas admitem que este aumento exponencial de novos casos possa estar relacionado com o alívio das restrições no país durante a época do Natal, sendo previsível que os números se mantenham altos nos próximos dias.

 

No panorama europeu, Portugal foi um dos países com restrições mais leves no Natal e no Ano Novo. Marcelo, em debate com o candidato presidencial Tiago Mayan, chegou mesmo a referir que existiu um “laxismo” durante esse período. 

Recorde-se que no Natal não foi definido nenhum limite de pessoas e foi também autorizada a circulação entre concelhos e na via pública.

Para entender os efeitos desse “laxismo” no espectro da Europa vale a pena observar a evolução do número de casos por milhão de habitantes em Portugal e nos “vizinhos” do continente, a seguir ao Natal e até agora.

No gráfico abaixo é possível ver como Portugal manteve uma tendência crescente, estando pelo menos onze dias com valores mais elevados do que a Alemanha, Itália, Espanha e França. O país chega mesmo a ultrapassar o Reino Unido no dia 6 de janeiro. Dia em que foram detetadas 10.027 novas infeções.

 

(Nota: gráfico atualizado com os números disponíveis até ao momento. Portugal regista este sábado 921.9 casos por milhão de habitantes)

 

De notar que do dia 5 para o dia 6 de janeiro existiu uma variação percentual de 102% em relação ao número de infetados por um milhão de habitantes.

O Reino Unido permanece a maior parte do tempo à frente da lista, registando um pico no dia 8 de janeiro. No Natal, a Inglaterra permitiu três agregados nas áreas de menor risco. Por outro lado, a Escócia e o País de Gales permitiram reuniões no dia 24 e 25 de dezembro.

Estratégia diferente teve a Espanhay, que permitiu até 10 pessoas por casa no Natal e no Ano Novo. As viagens entre regiões só foram permitidas para visitar amigos e familiares, dependendo da severidade dos surtos por região.

Já a Alemanha, como o Reino Unido, decidiu voltar a impôr um confinamento geral até ao dia 10 de janeiro. No Natal, foram autorizadas reuniões com mais de quatro pessoas de fora do agregado familiar direto. 

França foi o país que mais se assemelhou a Portugal na estratégia de combate à pandemia no Natal. O governo de Macron decidiu não restringir o número de pessoas a conviver no dia 24 e 25 e levantou as limitações à circulação das 20:00 às 6:00 na véspera natalícia.

Desviando as atenções para a análise do número de mortos desde o dia 23 de dezembro, verificamos uma variação percentual de 105%, comparativamente com os 111 óbitos registados este sábado. 

De acordo com um estudo publicado pela Escola Nacional de Saúde Pública, entre 2 de março e 31 de dezembro, a covid-19 apresentou uma letalidade de 1,7% em Portugal, mais baixa do que a verificada na Europa (2,3%) e no mundo (2,2%).

No gráfico, é possível observar a evolução do número total de mortos cumulativos na Europa . A Itália é, durante o período em análise, o país com um total de óbitos por milhão de habitantes mais elevado. 

 

 

 

 

No entanto, é necessário notar que, no último dia de 2020, o Reino Unido ultrapassou a Espanha neste registo. De acordo com os dados mais recentes disponibilizados, Portugal situa-se abaixo de Espanha e de França, mas bastante acima da Alemanha que, do dia 23 de dezembro ao dia 8 de janeiro, não ultrapassa os 500 óbitos por milhão de habitantes.

O número preocupante de novos casos de covid-19 e de mortos deverá levar o Governo a decretar um novo confinamento parecido com o de março e abril, segundo disse a ministra da Presidência este sábado.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.914.057 mortos, resultantes de mais de 88 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, o estado de emergência decretado para combater a doença foi renovado com efeitos desde as 00:00 de 08 de janeiro, até dia 15.