O concelho de Lisboa centra grande parte das atenções no combate à covid-19 em Portugal. Esta terça-feira o Governo e as autoridades de saúde anunciaram um conjunto de medidas para impedir um escalar da situação, numa altura em que o índice de transmissibilidade (Rt) e a incidência já estão acima das linhas vermelhas traçadas.

Para fazer face à situação, foi anunciado um reforço da testagem em vários locais da região de Lisboa e Vale do Tejo, mas é na capital que a situação mais preocupa.

André Peralta Santos, especialista da Direção-Geral da Saúde, revelou que existem dez casos particularmente preocupantes, que ultrapassam o limite definido de 120 casos por 100 mil habitantes numa incidência cumulativa a 14 dias. Dessas freguesias, três estão mesmo além dos 240 casos por 100 mil habitantes.

Freguesia Incidência
Alcântara 120+
Alvalade 120+
Avenidas Novas 120+
Estrela 120+
Penha de França 120+
Santo António 120+
São Vicente 120+
Arroios 240+
Misericórdia 240+
Santa Maria Maior 240+

Destas freguesias, a última avaliação tinha apenas Arroios, Misericórdia e Santa Maria Maior assinaladas como estando acima do limite, sendo que apenas esta última ultrapassava os 240 casos por 100 mil habitantes.

Agora, e segundo os dados da DGS, a tendência é para um alastrar dos casos na capital, com a incidência a 14 dias a agravar-se em quase todas as freguesias, ultrapassando mesmo as linhas do concelho.

A incidência em todo o município é de 143 casos por 100 mil habitantes e o R(t) é de 1,14, o que deverá colocar a capital em alerta na próxima avaliação de Conselho de Ministros, podendo assim recuar no desconfinamento, caso volte a apresentar avaliação negativa na semana seguinte.

A epidemia está a aumentar, porque o R(t) é superior a 1. As maiores incidências encontram-se no centro da cidade", indicou André Peralta Santos, destacando a dispersão dos contágios.

Ainda assim, o perito refere que existe um abrandamento nas freguesias mais centrais.

Desta forma, a DGS avisa que o patamar dos 240 casos por 100 mil habitantes pode ser atingido nas próximas duas a três semanas no concelho.

A região de Lisboa e Vale do Tejo tem sido de forma recorrente aquela que mais casos diários apresenta nos boletins da DGS. 

António Guimarães