Dezasseis elementos dos Bombeiros do Concelho de Espinho (distrito de Aveiro ) estão em vigilância ativa à covid-19, porque confraternizaram todos numa “ceia na cozinha do quartel”, onde a lotação era de seis pessoas, indicou este sábado fonte oficial.

Em declarações à agência Lusa, o comandante da corporação, Pedro Louro, adiantou que os 16 bombeiros, que estão em casa em vigilância ativa por terem contactado com um caso positivo de covid-19, vão ser “alvo de um processo disciplinar” por não terem cumprido o plano de contingência delineado para aquele quartel no combate ao novo coronavírus.

Toda a brigada de serviço esteve a confraternizar durante o período da ceia na cozinha do quartel , cujo plano de contingência determina que a lotação da cozinha é de seis pessoas”, explicou Pedro Louro, acrescentando que foi feito um comunicado interno a dar indicação de que se iria “agir disciplinarmente”, por causa da quebra das regras do plano de contingência.

Segundo o comandante, de momento só há “um caso positivo de um bombeiro com a covid-19”. Todos os elementos que estiveram a confraternizar na ceia estão em isolamento profilático e vigilância ativa.

Pena de demissão ou suspensão até 180 dias 

O comandante dos Bombeiros do Concelho de Espinho, no distrito de Aveiro, referiu hoje que a ação disciplinar a 14 bombeiros em vigilância ativa devido à covid-19 passa por “pena de demissão” ou “suspensão entre 10 e 180 dias”.

As consequências do processo disciplinar, que vai avançar na próxima semana, são duas: ou uma suspensão entre 10 e 180 dias ou pena de demissão”, declarou Pedro Louro.

Há 16 elementos dos Bombeiros do Concelho de Espinho em vigilância ativa no contexto da covid-19, mas apenas 14 – e não 16, como inicialmente noticiado - vão ser alvo de processo disciplinar.

Foram estes 14 elementos que participaram numa ceia na cozinha do quartel, não cumprindo o plano de contingência de combate ao novo coronavírus, que só permite seis pessoas naquele espaço, explicou Pedro Louro.

Pedro Louro decidiu também, com efeitos imediatos, cancelar qualquer condecoração, louvor ou referência elogiosa aos envolvidos no presente ano, encerrar o ginásio até 31 de março, e cancelar formações e treinos físicos no horário laboral até março, entre outras medidas.

“A disciplina passa por não se fazer o que se gostaria, mas o que tem de ser feito em determinado contexto. E se o convívio em causa é até louvável em tempos de normalidade, é absolutamente proibido e reprovável no contexto atual”, é referido no documento.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 2.384.059 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 15.034 pessoas dos 781.223 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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