A ministra da Saúde garantiu este sábado que a Direção-Geral da Saúde (DGS) e autoridades competentes vão concluir, até ao final da semana, a preparação do regresso das visitas a lares e unidades de cuidados de saúde, entre outros.

Neste momento, as autoridades de saúde, a DGS e outros setores quearticulam com estas áreas, estão a concluir, esperemos que até ao final da semana, temas como o regresso a estruturas residenciais para idosos e unidades de cuidados de saúde continuados e integrados […], creches, transportes públicos e futebol”, afirmou Marta Temido, que falava aos jornalistas em Lisboa.

Sem avançar com mais detalhes, a governante disse que os termos técnicos desta preparação vão ser “oportunamente transmitidos”.

Durante a sua intervenção, a governante referiu ainda que o Ministério da Saúde tem estado focado na retoma da atividade assistencial no Serviço Nacional de Saúde, que contemplará aspetos como o recurso a meios não presenciais, nomeadamente, à telesaúde, programas de telerastreio e telemonitorização.

Por outro lado, a retoma vai incluir o desfasamento de horários de atendimento, mesmo ao fim de semana, bem como o agendamento por hora marcada, “garantindo que os utentes permanecem o menor tempo possível nos estabelecimentos prestadores”.

Segundo Marta Temido, o Governo vai ainda continuar focado “no acompanhamento da situação epidemiológica nos patamares local, distrital, regional e nacional, com especial atenção à identificação de novos ‘clusters’, focos e grupos de infeção”.

Portugal com 450 mortes em lares, abaixo da média da Europa 

Sobre a situação dos lares, a diretora-geral da Saúde, Graças Freitas, indicou que já se registaram 450 mortes nestes estabelecimentos em Portugal, mas notou que a situação está controlada, com uma mortalidade “abaixo” de outros países europeus.

Existe mortalidade nestas instituições, mas em Portugal, felizmente, os números em termos percentuais até se colocam abaixo do que tem sido reportado a nível da Europa”, afirmou a responsável.

Em concreto, “em Portugal e até à data, ocorreram nestes lares 450 óbitos, que obviamente lamentamos, distribuídos por 243 na região Norte, 134 na região Centro, 69 na região de Lisboa e Vale do Tejo, um no Alentejo e três no Algarve”, precisou Graças Freitas.

De acordo com a diretora-geral da Saúde, esta “é uma percentagem ainda elevada, mas está abaixo do que é reportado pelos outros países [europeus]”.

“Reflete, creio eu, o que tem sido o cuidado intensivo de todas as entidades envolvidas junto destes lares”, explicou Graças Freitas, falando numa “intervenção precoce” feita pelas autoridades, nomeadamente através de rastreios e da deteção e separação de casos positivos.

A ministra da Saúde, Marta Temido, notou que a situação em estruturas residenciais para idosos “está relativamente controlada, com um ou outro caso que merece maior atenção e maior preocupação”.

“Aquilo que neste momento temos é muito o resultado do programa de testes que foi aplicado [já que] a opção foi, claramente, tentar controlar os casos positivos em profissionais que trabalham nestas unidades, sabendo que são o principal foco de contágio”, justificou Marta Temido.

Já falando sobre a situação na rede nacional de cuidados continuados integrados, a ministra indicou que “só 23 unidades têm situações de casos”, de um total de 389, acrescentando tratar-se de 62 doentes, mas sem nenhum estar “internado em ambiente hospitalar”.

Outra “boa notícia”, segundo Marta Temido, é que “desde o dia 22 de abril que não há novos óbitos em unidades da rede”.

“Além dos testes de diagnóstico que foram realizados nas estruturas residenciais para idosos, também na rede nacional de cuidados continuados integrados estão a ser realizados testes aos profissionais […] e, neste momento, temos já 3.190 com testes feitos e, desses, 114 foram positivos”, precisou ainda a governante.

Questionada sobre a evolução dos preços de equipamentos de proteção individual, como máscaras ou viseiras, Marta Temido garantiu que o executivo está a fazer uma “avaliação atenta da evolução dos preços e a adotar medidas em função que é a evolução das circunstâncias”.

Segundo a responsável, deverá registar-se “a possibilidade cada vez mais evidente de encontrar artigos no mercado”, o que levará “a um equilíbrio tendencial entre a oferta e a procura, através de um preço compatível com aquilo que são as orientações para a utilização de determinados equipamentos de proteção individual”.

“Se assim não for, naturalmente terão de ser encontrados mecanismos que permitam garantir que as pessoas se protegem e encontram equipamentos de proteção individual a preços comportáveis”, adiantou.

Portugal contabiliza 1.126 mortos associados à Covid-19 em 27.406 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 12 mortos (+1,1%) e mais 138 casos de infeção (+0,5%).

Das pessoas infetadas, 815 estão hospitalizadas, das quais 120 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 2.422 para 2.499.

Portugal entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

. / SS - atualizada às 15:47