Os especialistas portugueses fazem esta terça-feira uma nova avaliação da atual situação de covid-19 em Portugal. Segundo André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde (DGS), a incidência cumulativa a 14 dias evoluiu de forma estável, o que é visto como "um bom sinal".

Recorde-se que o Governo disse que esse parâmetro deveria ficar abaixo dos 120 mil casos por 100 mil habitantes, algo que não está a ser cumprido por alguns concelhos do país, sendo que muitos deles tiveram de parar ou dar um passo atrás no processo de desconfinamento.

Apesar disso, o especialista refere que existe uma "ligeira tendência decrescente" nos grande centros urbanos, o que estabiliza a evolução epidemiológica a nível nacional.

Há alguma heterogeneidade no território. Na última semana, pela densidade populacional e número de habitantes, o crescimento na zona de Paredes, Paços de Ferreira e Penafiel causa alguma preocupação", disse, destacando ainda uma tendência decrescente em Odemira.

Assim, nos concelhos que não avançaram no desconfinamento, a incidência tem uma tendência decrescente, mantendo-se estável nos municípios que estão em alerta.

Por regiões, é no Norte que está a maior população, sendo uma das duas que está acima da média de incidência nacional, em conjunto com o Algarve. No entanto, nenhuma das duas regiões regista uma incidência acima do limite de 120 casos por 100 mil habitantes.

Em relação à última reunião de especialistas, André Peralta Santos nota um crescimento da incidência entre os jovens dos 10 aos 39 anos, grupo que destacou que não tem grandes problemas com a doença.

Tal como vinha assinalado no último relatório de linhas vermelhas da DGS e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o especialista vincou a baixa incidência nos mais velhos, o grupo mais vulnerável a complicações graves de covid-19.

Para André Peralta Santos, este será um dos efeitos da massiva vacinação naquela faixa etária.

Esse efeito traduz-se num menor nível de internamentos das pessoas com mais de 80 anos, o que também reduz de forma significativa a moribilidade, tendo agora Portugal cinco mortos por milhão de habitantes.

Transmissibilidade R(t) tem vindo a decrescer , numa tendência constante

Atualmente, o aumento da incidência concentra-se na faixa 10-20 anos. Contudo, está muito longe dos valores registados na reabertura das escolas em setembro. 

Há algum resultado positivo na forma como vírus se transmitiu nesta reabertura de escolas", disse Baltazar Nunes.

O comportamento do confinamento tem sido o "expectável", estamos a 31% do máximo observado em março e abril, revelou o especialista do INSA.

Apesar disso, é também o Norte a situação mais preocupante, com uma transmissibilidade de 1,05.

António Guimarães