Os doentes de covid-19 que estão em casa a recuperar vão poder reportar ao médico ou enfermeiro a evolução do seu estado, aliviando a pressão sobre os profissionais de saúde, anunciou esta segunda-feira o Governo.

Esta segunda-feira vai ser publicada uma atualização de uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) que, “entre outras coisas, permitirá aos doentes a recuperar ao domicílio fazer auto-reporte”, afirmou o secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, durante a conferência de imprensa da DGS de balanço sobre a evolução da pandemia de covid-19.

A diretora-geral da Saúde acrescentou que a medida se destina apenas aos doentes que cumpram um conjunto de condições: “A primeira condição é o seu quadro clínico ser estável”, sublinhou Graça Freitas, acrescentado que têm de ter menos de 60 anos e ter capacidade de utilizar ferramentas tecnológicas.

Ou seja, as equipas de saúde fazem uma triagem prévia dos doentes que estão em casa e decidem quem está em condições para poder fazer em auto-reporte.

Uma pessoa que cumpra os vários requisitos previstos na norma pode ir à plataforma TraceCovid reportar os seus sintomas ou falta deles: “Se está bem, se tem tosse se tem febre, se melhorou ou piorou”, explicou Graça Freitas.

A partir desse reporte, as equipas de saúde verificam se é necessário outro tipo de intervenção. Sendo que dar os resultados dos testes assim como dar alta ao doente continua a ser uma tarefa dos profissionais de saúde.

O secretário de estado explicou que esta alteração “vai aliviar a pressão sobre os profissionais de saúde, nomeadamente médicos de família, o que lhes permitirá direcionar o tempo disponível para outras atividades igualmente relevantes, não decorando o caráter primordial desta tarefa”.

Durante a conferência de imprensa, o secretário de estado recordou ainda a evolução do combate à pandemia de covid-19 desde março deste ano, sublinhando que em agosto foram ultrapassados os dois milhões de testes.

Diariamente, durante este mês, realizou-se uma média de 13.700 testes, segundo números avançados por António Lacerda Sales.

DGS só reduz período de isolamento com "evidência cientifica robusta"

A diretora-geral da Saúde defendeu que seria “extraordinariamente positivo” reduzir o período de isolamento de 14 para 10 dias devido ao contágio de covid-19, mas que esse tempo só será encurtado se houver uma “evidência científica robusta”.

Temos grandes expectativas, nós e toda a comunidade em todo o mundo, que venha a ser claramente estabelecimento que o período de contágio é muito pequeno a partir dos 10 dias de início de sintomas ou contacto com caso de doente”, afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, durante a conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia de covid-19 em Portugal.

Questionada sobre uma eventual redução do período de isolamento de 14 para dez dias, Graça Freitas reconheceu que “seria extraordinariamente positivo poder diminuir o número de dias”, mas que é preciso primeiro haver “evidência científica robusta”.

Os 14 dias correspondem ao número máximo de dias considerado para incubação desde o início da pandemia: “Sempre se disse que esse era o período de incubação”, recordou Graça Freitas.

Vemos com muita expectativa positiva poder encontrar esse período, mas vamos ver se há essa evidencia”, concluiu.

DGS divulgou parecer sobre o Avante! “excecionalmente” e “em consonância” com PCP

A DGS divulgou "excecionalmente" o seu parecer sobre a Festa do Avante! "em consonância" com o PCP e devido ao interesse público, à tranquilidade social e ao impacto do evento, disse o Governo.

Na conferência de imprensa para atualização de informação sobre a pandemia de covid-19 em Portugal, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, explicou que "a DGS, em consonância com a entidade promotora [o PCP], divulgou excecionalmente o parecer, tendo em conta aquilo que é o interesse público e a tranquilidade social, que é tão importante nestes tempos de pandemia que vivemos".

Fê-lo porque este evento em particular adquiriu um caráter excecional, diria que não do ponto de vista técnico, porque do ponto de vista técnico é como outro qualquer evento, mas sim do ponto de vista de impacto social e até de impacto também mediático", acrescentou.

O governante disse que "não existe qualquer tipo de discriminação, nem positiva, nem negativa" em relação à Festa do Avante!, "até porque as competências da DGS são técnico-normativas, não têm decisões de caráter político".

Na conferência de imprensa, António Lacerda Sales foi questionado sobre os motivos da mudança de decisão da DGS em relação à divulgação do parecer técnico sobre a realização da Festa do Avante! deste ano e se o organismo cedeu à pressão do Presidente da República.

A DGS é um organismo do Ministério da Saúde cuja função é técnico-normativa e, como tal, a sua competência é a de coordenar a vigilância epidemiológica nas suas determinantes sociais, doenças transmissíveis e não transmissíveis, e faz executa sempre as suas funções com inteira autonomia técnica", respondeu António Lacerda Sales.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, "o que a DGS fez foi aplicar" à Festa do Avante! "as normas adaptadas aos princípios de precaução de saúde pública determinadas pelas autoridades de saúde".

As características específicas da Festa do Avante! fizeram com que a elaboração do parecer fosse "um trabalho profundo, exigente" e que a DGS "entendeu" hoje "que devia divulgar", "dado o impacto social e até mediático do evento".

Na conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse que o organismo, "antes da divulgação", recolheu "a concordância da respetiva organização" e "exatamente para não criar qualquer tipo de precedente".

Graça Freitas explicou que a DGS tem "um conjunto de regras gerais" e depois tem que emitir pareceres em relação a eventos específicos e que determinam a aplicação das regras gerais às características particulares de cada evento e que "são analisadas conjuntamente com a situação epidemiológica que se vive em cada altura".

"E é do conjunto desta análise das características do evento e a situação epidemiológica que a DGS faz uma avaliação do risco e emite um parecer", explicou Graça Freitas, referindo que os pareceres da DGS, "tanto quanto possível, baseiam-se sempre em normas universais, em regras gerais, que são aplicáveis em todas as circunstâncias".

No entanto, as características do evento e a epidemiologia da doença ditam ajustamentos, que têm de ser feitos em função da avaliação do risco", rematou Graça Freitas.

Três mortos e 244 novas infeções associadas à covid-19 foram registados nas últimas 24 horas em Portugal, estando agora contabilizados 58.012 casos desde o início da pandemia, segundo o boletim epidemiológico da DGS.

O número de vítimas mortais da pandemia em Portugal é de 1.822, tendo sido dados como recuperados 41.961 doentes (mais 76).

/ AG