O presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, disse esta terça-feira à TVI24 que existe uma “situação de sobrecarga” da medicina intensiva na zona Norte, algo que classifica como “expectável”.

O médico justifica esta sobrecarga com a natural subida da procura não covid-19, que o próprio outono e inverno costuma trazer.

A taxa de ocupação em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) na zona Norte está na ordem dos 90% nos últimos dez dias. No entanto, o especialista enumera duas formas de sair desta sobrecarga.

A primeira passa por aumentar o número de camas disponíveis, que ainda está a ser feito, mas à custa de “pararmos algumas linhas de atividade", como as cirurgias programadas não prioritárias.

É necessário parar todas as cirurgias não prioritárias”, alerta o doutor professor.

Por outro lado, “há que atuar no numerador” e reduzir a procura e a necessidade de camas em medicina intensiva. Isto pode ser feito através do comportamento do cidadão, de forma a reduzir a transmissão viral e a incidência da covid-19.

Questionado sobre a gestão de recursos humanos num Serviço Nacional de Saúde que já há muito se queixa de falta de profissionais, o médico admite que este é um "elo complicado".

Criar um médico e um enfermeiro de cuidados intensivos demora bastantes anos", frisa José Artur Paiva.

O que está a acontecer é um aumento da contratação de profissionais a outros serviços, que são integrados numa equipa de medicina intensiva, de forma a contribuir para este esforço, refere.

"Tem que haver um sistema de backup interregional"

O médico defende ainda que o plano de cooperação entre as várias regiões do país deve ser melhorado. Para garantir que todos os doentes têm acesso aos cuidados de saúde, será preciso “fortalecer” o transporte inter-hospitalar dos doentes críticos, aconselha Artur Paiva. 

“É natural que esse transporte de doentes entre hospitais e até entre regiões, que é um sinal da ‘bondade’ do sistema, possa aumentar. Logo, é preciso que a capacidade de transporte de doentes seja redimensionada para responder ao aumento da procura”.

Os doentes nas unidades de cuidados intensivos atingiram nas últimas 24 horas, o valor mais elevado desde o início da pandemia, em março.

Os mais recentes dados divulgados pela Direção-Geral de Saúde (DGS) revelam que, esta terça-feira, há menos 12 pessoas internadas, num total de 3.028. Em contrapartida, há mais cinco pessoas em cuidados intensivos do que na segunda-feira, num total de 431. 

Rafaela Laja