O diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) alertou esta terça-feira que se não houver um compromisso coletivo para “reduzir ao máximo” a transmissão da covid-19 o país vai “confrontar-se com os seus limites”.

Por estas razões, defendeu, “assiste ao país, a responsabilidade coletiva de aliviar a pressão sobre o sistema”, o que só se consegue fazer “aliviando o número de casos diários de infeção” e com isso poupar vidas e reduzir o impacto da pandemia sobre a economia.

Se isso não acontecer, o preço a pagar é que “o sistema de saúde não vai conseguir responder à pressão assistencial” e isso não pode ser permitido.

No seu entender, o que não se pode permitir, “independentemente da liberdade de expressão”, são “atuações negacionistas, atuações libertárias, contestatárias daquilo que são as medidas que a ciência já demonstrou que são eficazes na redução do número de infeções”.

A principal mensagem que neste momento temos que passar para a sociedade, para todos os cidadãos - que eu acho que ainda não foi bem explicada - é que todos temos direito à liberdade de expressão, todos temos o direito de contestar o conhecimento científico, as opções políticas, as opções de gestão, todos temos esse direito”.

Mas, acrescentou, se “neste momento não houver um compromisso global e coletivo de reduzir ao máximo o número de transmissão de infeções na comunidade, o país vai-se confrontar com os seus limites”.

Eu surpreendo-me que as pessoas ainda não tenham interiorizado a relação que existe entre um determinado tipo de incumprimento de regras e as consequências que daí advêm”, desabafou, admitindo que provavelmente a mensagem não tenha sido “completamente clara” e a forma como foi comunicada também não tenha sido “a mais eficaz”.

João Ribeiro disse que nunca viu explicitado de “uma forma absolutamente clara” que o preço global do que está a acontecer não é só pago pelo número de pessoas muito idosas e muitos doentes que morrem. “Isso é uma ideia completamente falsa”.

Também se paga pela suspensão da vida familiar, social, cultural, religiosa e das atividades desportivas.

As pessoas acham por exemplo que é uma maldade dos políticos ter, por exemplo, suspenso uma ida ao futebol. Não é uma maldade política, é uma consequência é o preço que tem que se pagar”, frisou.

Disse ainda ter “pena que se crie a ideia de que há uma seleção geracional”, uma ideia que está a passar muito “em certa medida alimentada por alguns profissionais da área da saúde (…) que alimenta depois os comportamentos desviantes da coletividade de muitos setores da comunidade, mas não é só neste país”.

Há tantas e tantas empresas, tanto conhecimento produzido em torno do que são as melhores estratégias de comunicação e não se conseguiram fazer uns spots informativos, criar ondas de divulgação nas plataformas sociais, não se conseguiu fazer sessões de esclarecimento nas escolas, mas empresas, não se conseguiu fazer nada…”, declarou.

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