Perante o esgotamento das unidades hospitalares em Portugal, o nosso país já está a equacionar um pedido de ajuda internacional. A Áustria já anunciou que vai receber doentes nos cuidados intensivos, e a Alemanha estará a ultimar o envio de profissionais de saúde e de equipamento para Portugal.

Perante este cenário, o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar, Nélson Batista, entende que esta disponibilização de ajuda é "bem-vinda", ainda que refira que é preciso perceber de que modo surgiu este apoio.

Sobre a integração dos profissionais estrangeiros no Serviço Nacional de Saúde, o responsável avançou que já esteve em Portugal uma equipa de avaliadores, acrescentando que serão especialistas em medicina de catástrofe, que vêm para "organizar a resposta".

Nota-se claramente que há aqui uma falta de organização que precisa de ser corrigida. Espero que isso seja corrigido", afirmou.

 Questionado sobre se esta medida é uma reação, Nélson Batista lamenta que não seja planeada uma resposta adequada.

Um dos pontos que critica é a gestão feita pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, que, na visão do responsável, está a originar um caos nos hospitais portugueses, levando à sobrelotação de ambulâncias com doentes que esperam atendimento.

Estes centros de triagem não fazem sentido. O objetivo é que as ambulâncias não cheguem aos hospitais. Não é chegarem e voltarem com o doente para trás", apontou.

 Para Nélson Batista, uma das soluções que devem ser encontradas passa por uma maior coordenação e integração de toda a rede hospitalar.

O responsável diz que essa sugestão já foi proposta "há anos", mas que "problema é que a tutela [Ministério da Saúde] não ouve".

O que falta são orientações claras. Precisamos de planeamento, de organização. Estamos numa catástrofe, numa emergência de saúde pública", explicou.

Em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar saudou este domingo a possibilidade de a Alemanha enviar profissionais de saúde e equipamento médico para Portugal, mas sublinhou a importância da “criação de cursos de emergência pré-hospitalar”.

É com agrado que verificamos o referido apoio a Portugal”, refere num comunicado em que salienta, no entanto, a “premente necessidade da criação de cursos na área da emergência médica pré-hospitalar”, como de técnicos de emergência médica pré-hospitalar de níveis 1 e 2, e o nível superior de paramédico.

Na nota, é enaltecido que estes operacionais “têm, noutros países europeus, operado de forma eficaz, prestando cuidados de emergência médica diferenciados, mitigando a sobrecarga dos hospitais, desde logo dos profissionais de saúde”.

A Socidedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar considera que estas formações iriam suprimir “a carência do Sistema Integrado de Emergência Médica” no campo da formação, que apelida de “desajustada e até mesmo anacrónica”.

Estas formações permitiriam "com uma carreira com base na paramedicina implementada em Portugal, libertar médicos e enfermeiros da emergência médica pré-hospitalar, para unidades hospitalares, que evidentemente, e, como está demonstrado, carecem destes profissionais altamente diferenciados”, defendeu a organização.

Nesse sentido, a Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar insta a Direção-Geral da Saúde a criar um grupo de trabalho para desenvolver estes cursos, mostrando “o seu total interesse” em integrá-lo.

Portugal registou este domingo 303  mortes relacionadas com a covid-19 e 9.498 casos de infeção por SARS-CoV-2, segundo a Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 12.482 mortes associadas à covid-19 e 720.516 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando ativos 181.623 casos.

António Guimarães / com Lusa