O professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Henrique Barros, afirmou esta terça-feira, numa reunião de especialistas no Infarmed, que Portugal pode registar o primeiro dia sem casos de covid-19 em setembro.

Acreditamos que, se tudo correr normalmente, em setembro podemos não ter casos", disse.

Sobre a vacinação, cerca de 90% dos portugueses querem ser vacinados, afirmou Henrique Barros, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que conduziu um inquérito com 200 mil pessoas.

Apesar disso, o especialista notou, numa reunião no Infarmed, que é a população mais idosa aquela que tem maior vontade de ser vacinada.

Em sentido inverso, o grupo dos 40 aos 49 anos não mostrou tanta vontade em receber a vacina, enquanto que os mais novos se aproximam dos valores registados nos mais idosos.

Numa análise socioeconómica, as pessoas com mais rendimentos são as que mais pretendem ser vacinadas.

Henrique Barros alerta que é preciso entender estas diferenças, sendo que os dados são inequívocos: "Ganhamos cada vez mais com a vacinação".

Apesar dos dados verificados, olha com otimismo para o processo de vacinação, destacando as consequências positivas na mortalidade e nos internamentos em cuidados intensivos.

Sobre a probabilidade de morte, Henrique Barros diz que esse valor anda nos 0,5%, e que não deve ultrapassar os 0,75% nos próximos tempos.

A probabilidade de morrer é cinco vezes mais baixa do que no início da pandemia e metado do que no último ano", afirmou.

Assim, diz o professor que a estratégia vacinal em prática em Portugal resulta numa diminuição das mortes e dos internamentos.

Sobre o impacto das variantes na mortalidade, Henrique Barros diz que as mutações britânica e sul-africana são responsáveis por uma maior probabilidade de morte em caso de infeção.

Apesar disso, o especialista acredita que a vacinação deve ser eficaz nestas variantes.

António Guimarães