Uma família do concelho de Loures tem 13 casos positivos para Covid-19 e outros 12 casos suspeitos. O foco da doença terá sido o funeral de um jovem de 30 anos, que se realizou a 14 de maio.

Depois disso e só nos últimos dias, Roque da Cunha, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos  e médico de família no Centro de Saúde de Camarate, já atendeu vários núcleos familiares, ligados a esta família alargada, com sintomatologia compatível com infeção pelo novo coronavírus.

Uma tia do jovem, com 36 anos, três filhos, o pai dela e um tio, todos a residir na mesma casa já testaram positivo para o novo coronavírus, de acordo com as contas feitas por Roque da Cunha, em declarações à TVI.

Há ainda outro núcleo familiar, constituído por outra tia do jovem e dois primos, que também testou positivo para Covid-19.

Além destes dois núcleos, que são pacientes de Roque da Cunha, há mais um tio do jovem e a mulher e ainda outros três casos confirmados. Há também 12 casos suspeitos, à espera de resultados.

Todas estas pessoas têm em comum a presença no funeral que se realizou há 14 dias e que juntou dezenas de familiares. O jovem que foi a sepultar não foi vítima de Covid-19.

As minhas doentes diziam-me: ‘doutor, mas fomos todos de máscara’. Foram de máscara, mas é uma situação propícia a lágrimas, muito choro e consequente troca de fluídos”, alerta Roque da Cunha.

O médico de família tece duras acusações a Mário Durval, diretor do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT): “Está mais preocupado em impor a lei da rolha e ameaçar com processos disciplinares quem coloca informação cá para fora do que em fazer o seu trabalho e está a tentar dourar a pílula junto do poder político”.

No que diz respeito ao acompanhamento dos doentes que testam positivo, a Saúde Pública da ARS de Lisboa e Vale do Tejo está muito longe de cumprir a sua obrigação e muito longe do que tem anunciado que tem feito. Devia ser contactado cada doente, para saber com quem esteve e onde esteve, e isso não está a ser feito com a celeridade necessária”, acusa Roque da Cunha.

A TVI tentou contactar o diretor do Departamento de Saúde Pública da ARSLVT, mas até ao momento da publicação desta notícia, ainda sem sucesso.

Manuela Micael