A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou esta quinta-feira inevitável o encerramento das escolas perante o "interesse de saúde pública", mas apelou ao Governo para que aproveite os 15 dias de pausa letiva para "preparar o futuro".

Reagindo ao anúncio do primeiro-ministro, António Costa, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse à Lusa que "a opção" do encerramento das escolas, a partir de sexta-feira e durante pelo menos 15 dias, "não merece dúvidas" face ao "interesse de saúde pública".

Para Mário Nogueira, o Governo deve aproveitar os 15 dias de interrupção das aulas para "preparar o futuro", isto é, "criar as condições" para "dois cenários" possíveis: o regresso ao ensino presencial ou ao ensino à distância.

Segundo o dirigente da Fenprof, "recuperar os défices é possível" desde que se acautele que "ninguém fica excluído" da aprendizagem por falta de computador ou acesso à internet ou que as escolas "possam contratar o pessoal necessário" para fazer a higienização dos espaços, testar e vacinar a população escolar, proteger os grupos de risco e cumprir os distanciamentos físicos necessários.

Na terça-feira, a Fenprof defendeu o encerramento das escolas face à "gravíssima situação epidemiológica que se está a viver" em Portugal, bem como à "opinião consensual dos especialistas".

Na altura, Mário Nogueira lamentou a "inépcia do Governo para criar as condições indispensáveis ao ensino presencial em segurança".

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou hoje o encerramento das escolas de todos os níveis de ensino durante 15 dias para tentar travar os contágios pelo novo coronavírus.

António Costa justificou a medida, por "princípio de precaução", com o aumento do número de casos da variante mais contagiosa do SARS-CoV-2, que cresceram de cerca de 8% de prevalência na semana passada para cerca de 20% atualmente.

O chefe do Governo afirmou que os 15 dias de interrupção serão compensados num outro período de férias e assegurou que haverá medidas de apoio às famílias semelhantes às que vigoraram durante o primeiro confinamento, na primavera de 2020, como faltas justificadas para as pessoas que tenham filhos com menos de 12 anos e não estejam em teletrabalho.

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