O Governo garante que a capacidade de ventilação vai ser duplicada para fazer face à pandemia de Covid-19. A informação foi divulgada na habitual conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica em Portugal, no Ministério da Saúde, esta quinta-feira.

Estamos a tentar reforçar a capacidade de ventilação. (...) Estaremos em capacidade de duplicar a capacidade de ventilação", vincou o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, aos jornalistas.

O governante informou que "foram oferecidos 400 ventiladores invasivos" por diferentes entidades e que "foram adquiridos 900" ventiladores pela Administração Central do Sistema de Saúde, sendo que 144 chegam já este fim de semana a Portugal.

Foram oferecidos 400 ventiladores invasivos, muitos dos quais já chegaram aos hospitais e outros com previsões de entrega muito em breve."

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI), João Gouveia, explicou depois que estes ventiladores vão ser distribuídos pelos diferentes hospitais do país, tendo em conta vários critérios como o "grau de sobrecarga que já existe nas unidade de cuidados intensivos".

O responsável sublinhou a importância do reforço da capacidade da medicina intensiva para responder à pandemia.

Os doentes mais graves necessitam da medicina intensiva e é necessário que a medicina intensiva aumente a sua capacidade."

António Lacerda Sales deu conta do reforço de material que já foi assegurado pelo Governo, anunciando também que, na próxima sexta-feira, chegam 80.000 zaragatoas a Portugal. O governante disse que, no total, já estão encomendadas 400.000 zaragatoas que vão chegar de forma gradual.

Ainda de acordo com o secretário de Estado, na próxima semana chegam mais 200.000 testes.

Todos os dias os serviços partilhados da saúde estão a trabalhar para que sejam repostos os kits de testagem e material de proteção individual”, sublinhou.

Questionado sobre a qualidade do material encomendando, João Gouveia destacou que o material adquirido "tem de ter certificado de qualidade" e acrescentou que "não há queixas" relativamente a este ponto.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que a curva epidémica em Portugal ainda está a subir e, insistindo na ideia de um "planalto", referiu que, para já, não é possível dizer quando será o pico com certeza.

Ainda estamos claramente em ascendência, nós não sabemos quando vai ser o pico com certeza. (...) Estamos a fazer tudo para subir o pico mais lentamente, mas só saberemos que estivemos no pico quando começarmos a descer e, mesmo assim, não é nos primeiros dias de descida."

Alta a doentes no Norte sem segundo teste terá seguido "critérios clínicos"

Graça Freitas afirmou ainda que terão sido seguidos “critérios clínicos” para as altas dadas a doentes de Covid-19 na região Norte que não fizeram o segundo teste recomendado para garantir que estão curados.

A responsável manifestou-se “absolutamente certa” de que os médicos da região Norte que deram os doentes como curados e os mandaram para casa sem fazer um segundo teste, como noticiou esta quinta-feira o Jornal de Notícias, “o fizeram com base em critérios clínicos” e que disseram às pessoas que, “por precaução, continuassem a manter-se em isolamento”.

O ideal, de facto, é fazer os dois testes, mas na ausência dos dois testes, é avaliada a condição clínica destas pessoas, se estão assintomáticas”, indicou.

Nesta conferência de imprensa, o secretário de Estado indicou ainda que há 1.124 profissionais de saúde infetados com o novo coronavírus, entre os quais 206 médicos e 282 enfermeiros.

O número de mortos por Covid-19 em Portugal subiu para 209, mais 22 óbitos nas últimas 24 horas, o que traduz um aumento de 11,8%.

De acordo com o último boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado esta quinta-feira, o número de infetados aumentou 9,5%, para 9.034, mais 783 que no balanço anterior

Há mais 25 doentes recuperados, elevando para 68 o número total.

O número de internamentos aumentou para 1.042 (mais 316), 240 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos.

Sofia Santana / atualizada às 13:47