A transferência dos idosos do lar ilegal em Gondomar que testaram positivo à covid-19 para o Hospital Fernando Pessoa concluí-se esta quinta-feira pelas 17:30, estando a Segurança Social a avaliar soluções para o seu futuro, revelou o presidente da câmara.

Conseguimos antecipar em cinco horas a hora prevista da operação de transferências [dos negativos para uma unidade da Segurança Social em Vila Nova de Gaia e dos positivos para o Hospital Fernando Pessoa]. Os utentes, que eram a nossa principal prioridade (…), ficarão bem entregues até que deixem de estar positivos, podendo, recebida a alta, regressar à sua família ou ir para uma nova instituição de apoio social", afirmou o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, a assinalar o fim da operação.

Iniciada ao princípio da noite de quinta-feira, a transferência dos 25 utentes que restavam no lar Paródias e Ternuras, instituição encerrada coercivamente pela autarquia, concluiu-se, segundo Marco Martins, cerca das 17:30.

Foi uma operação rápida, com sucesso e quero dar uma palavra de agradecimento a todas as entidades que nela participaram, à Proteção Civil, aos bombeiros, à PSP, à Segurança Social, à delegação de saúde [de Gondomar] e à Polícia Municipal", disse.

Em causa está o lar ilegal Paródias e Ternuras localizado em Valbom, concelho de Gondomar, distrito do Porto, onde foram detetados 24 casos covid-19 entre idosos e onde já se registaram duas mortes.

Somam-se mais oito casos de infeção de funcionários e o da diretora do lar, todos a fazer isolamento em casa.

Sobre o futuro dos utentes, o autarca socialista informou que a "Segurança Social está já a contactar as famílias, uma a uma, para marcar reuniões para perceber de que forma, depois destes utentes [positivos] saírem do hospital, poderão seguir a sua vida de acordo com a situação financeira ou nas residências dos familiares".

Marco Martins informou ainda que os "três utentes que continuam hospitalizados no [hospital] Santo António quando tiverem alta seguirão também para o Hospital Fernando Pessoa".

A câmara vai assumir o encargo financeiro desta operação após o que o irá imputar ao lar, cuja proprietária já foi notificada pela polícia dessa situação", observou o autarca.

Sobre o futuro da casa que albergou o lar, cujo surto de covid-19 foi conhecido em 15 de setembro, Marco Martins só admite alterações balizadas na lei.

Se o proprietário quiser retomar o processo, com as condições que a lei prevê, com a lotação que a lei prevê, naturalmente que a câmara poderá reavaliar, mas naquelas condições não podia continuar porque os utentes não estavam com o mínimo de espaço, de higiene e da dignidade que queremos para os nossos avós", frisou.

A prestação dos cuidados no lar nas últimas horas até à conclusão da transferência foi "da responsabilidade de uma funcionária e das colaboradoras colocadas pela Cruz Vermelha", acrescentou.

Portugal contabiliza pelo menos 1.931 mortos associados à covid-19 em 71.156 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

/ AG