O virologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular Pedro Simas afirmou este domingo que a humanidade encontra-se no princípio do fim do combate ao novo coronavírus.

Num momento em que a complexa operação de vacinação contra a covid-19 já começou no país, o especialista explica que ," graças à ciência e à indústria temos o início do fim, a solução".

Se se vier a provar no campo que as vacinas têm eficácia de 95% na prevenção de doença severa, seria fantástico e vai trazer-nos a todos uma grande tranquilidade", sublinha o investigador, explicando que se refere à eficácia no controlo de danos no sistema respiratório e não no nariz e na faringe - efeitos que continuam em estudo e que fazem com que a população continue a ter de usar máscara.

Pedro Simas afirma que a aplicação da primeira dose da vacina já confere aluma imunidade protetora ao fim de dez dias, mas apela à população que não dispense de receber a segunda dose. 

Às vezes, a seguir a tomar a primeira dose, há pessoas que sentem alguma fadiga, febre e dores no braço, e depois já não querem tomar a segunda dose. Mas estas têm de perceber que as reações são normais e significam que o fármaco esta a funcionar", explica.

Simas admite ainda que a primeira fase da vacinação é a mais complexa e difícil de executar. Tudo porque existe um grupo populacional que é necessário identificar e convidar a vacinar-se.

A primeira fase é a mais difícil de executar e contempla 950 mil pessoas, entre os quais profissionais de saude, grupos de lares e funcionários que estão muito bem identificados. Mas ainda há um grupo de 400 mil pessoas, a população de alto risco com doença grave, que terão de ser identificadas e contactadas pelo SNS", explica Pedro Simas, sublinhando que, se o plano for bem executado, poderemos vir a registar "uma grande melhoria em março e em abril, com uma grande redução do número de internados e de mortos".

O especialista afirma que, no final da segunda fase e com uma percentagem de imunidade cumulativa de 37%, Portugal aproxima-se de "um número muito bom" e que permite uma planificação mais concreta da terceira fase.

A imunidade de grupo dos 60 a 70% já não é o objetivo a atingir. Não há tanta urgência para chegarmos lá se se comprovar no terreno a eficácia das vacinas, que excederam as nossas expectativas".

Pedro Simas lança ainda um apelo final a que toda a população adira à vacinação contra a covid-19, pedindo que se "acredite na evidência da história da humanidade". "Esta vacina é ainda mais segura do que a da gripe", conclui.