O médico infecciologista Jorge Atouguia defendeu hoje que “a igualdade das vacinações contra a covid-19 nos diferentes países devia ser assumida pela OMS, que teria de as testar e validar” de modo a permitir “um passaporte universal”.

Mas isto não é possível porque a OMS está fragilizada e dependente de grandes poderes. Na falta, a União Europeia [UE] chegou-se à frente e mesmo assim não está a conseguir controlar todos os países na sua esfera”, como a Hungria e Eslovénia, que administram a Sputnik V.

A vacina russa não foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), o que contraria a “igualdade” das vacinas administradas que está na base da implementação do certificado digital, disse à Lusa Jorge Atouguia.

O que se deve fazer nestes países [como a Hungria e Eslovénia]? Só as pessoas que têm as vacinas aprovadas pela EMA podem ter acesso ao certificado? São questões que precisam de ser respondidas”, acrescentou.

Em relação a uma possível expansão do certificado a países fora da UE que estejam nas mesmas condições, o médico admitiu que a questão “é ainda mais complicada porque as ditas condições podem não corresponder às vacinas permitidas” no espaço comunitário, para além de que muitos países estão ainda a iniciar o processo de vacinação.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante frisou que “o certificado digital europeu é importante para um conforto do ponto de vista individual, pois permite que uma pessoa que tenha imunidade se possa deslocar na UE e no próprio país para determinadas atividades”.

Contudo, este conforto não se aplica ao nível comunitário, assegurou, porque uma pessoa com a vacinação completa “pode vir a ser infetada e pode ser ela própria um veículo de transmissão do vírus”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 4.070.508 mortos em todo o mundo, entre mais de 188,8 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente da agência France-Presse.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.194 pessoas e foram registados 922.747 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

Agência Lusa / HCL