A pandemia está a ser mais violenta em Portugal do que em países como os Estados Unidos, França ou o Reino Unido, se compararmos as taxas de incidência de novos casos por mil habitantes. Portugal ultrapassa ainda países onde a pandemia de covid-19 tem sido particularmente difícil, como Itália, Espanha ou Alemanha.

No que diz respeito à taxa de incidência por mil habitantes, só a Irlanda, que verificou um pico muito elevado no primeiro dia do ano, mas tem vindo a descer a curva, e a República Checa, que ultrapassa Portugal por muito pouco.

Este sábado registou-se o pior dia da pandemia em Portugal. As autoridades de saúde anunciaram mais 166 óbitos e 10.947 infetados decorrentes da pandemia de covid-19. Desde sexta-feira, foram notificados mais 93 internados, dos quais 16 em Unidades de Cuidados Intensivos.

A região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que mais infetados registou nas últimas 24 horas (3.975), com o Norte a atingir 3.795 novos contágios.

Nos últimos dias têm sido notícia os hospitais à beira da rutura, sobretudo na região da Grande Lisboa. O último hospital a anunciar uma situação de esgotamento de capacidade foi o Garcia de Horta, em Almada. O hospital tem um total de 169 doentes com covid-19 internados, dos quais 18 em cuidados intensivos, com a unidade hospitalar a admitir um “cenário de pré-catástrofe”, caso a situação se mantenha.

Segundo informou a unidade hospitalar, a par dos pacientes na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), 148 doentes estão internados em enfermaria e outros três estão na Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD).

Hoje, dia 16 de janeiro de 2021, e em enfermaria, o hospital volta a registar um crescimento dos doentes internados positivos para a infeção por SARS-Cov-2 e a ajustar a lotação afeta à covid-19, de modo a acomodar a necessidade do número de doentes internados positivos”, referiu o HGO num comunicado.

Situação difícil a viver-se também no Hospital de Torres Vedras. A manhã deste sábado foi mais calma, mas, na sexta-feira, registaram-se imagens de filas de ambulâncias à porta das urgências, com doentes à espera de serem admitidos.

Um médico do Hospital de Torres Vedras relatou este sábado à TVI que o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) está a funcionar com mais do dobro da capacidade instalada, face ao elevado número de casos registados após o Natal.

O profissional de saúde sublinha que toda a equipa está a trabalhar "sem condições físicas e sem condições humanas", mas adianta que os colegas "estão a prestar cuidados de qualidade a todos os doentes".

Não conseguem, os profissionais do Centro Hospitalar do Oeste, não conseguem abarcar mais doentes, já está mais do que no limite. Posso dizer que mais do que o dobro da capacidade que nós temos".

Não os deixamos, não os abandonamos e não abandonamos o nosso posto de trabalho", diz o médico, em entrevista à TVI.

O próprio hospital debate-se com um surto de covid-19, com cerca de 150 doentes e profissionais de saúde infetados.

O diretor do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), Daniel Ferro, disse este sábado aos jornalistas que a procura do Hospital de Santa Maria aumentou cerca de 70% nos últimos 15 dias, pedindo medidas para as próximas duas semanas.

Nós esperamos que nas próximas duas semanas esta situação fique controlada, porque a crescer... Só para ter uma ideia, em 15 dias a procura cresceu cerca de 70%", disse o responsável aos jornalistas, à porta do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Daniel Ferro alertou que, "se a procura crescer mais 80 ou 90% nos próximos dias, não há capacidade no sistema".

É preciso, nesta altura, que esta situação estabilize e que estabilize mesmo", vincou o responsável do centro hospitalar que abrange o Santa Maria e o Pulido Valente.

O responsável nega que o hospital esteja à beira do caos, mas foram públicas as imagens de ambulâncias à porta das urgências, na última sexta-feira. Uma profissional de saúde do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse este sábado à TVI que os serviços entraram em rotura a meio de dezembro e que a situação tem se agravado. Uma imagem partilhada nas redes sociais mostra como várias ambulâncias tiveram de aguardar ao longo de horas para deixar pacientes infetados com o novo coronavírus nas urgências.

Em declarações à TVI24, a profissional diz que os "os serviços estão todos cheios e não há vagas no internamentos. Os doentes continuam a chegar, porque este é um hospital de fim de linha, mas nós não temos capacidade".

A profissional diz que, na zona de espera dedicada à assistência de doentes covid-19, chegam a ficar "seis a sete ambulâncias durante horas, porque não temos capacidade para ter doentes lá dentro, nem de os escoar para internamento".

Manuela Micael