Os concelhos de Lisboa e Porto são dois dos 45 concelhos que vão ter restrições para combater a pandemia de covid-19 na próxima semana, segundo anunciou esta quinta-feira o Governo.

Esta decisão foi tomada pelo Executivo após reunião em Conselho de Ministros, no qual ficou definido que os concelhos que apresentem uma taxa de incidência de 120 casos por 100 mil habitantes em duas semanas seguidas ou de 240 casos por 100 mil habitantes numa semana, passam a aplicar-se as seguintes medidas:

• Teletrabalho obrigatório quando as atividades o permitam;
• Restaurantes, cafés e pastelarias podem funcionar até às 22h30 (no interior, com um máximo de 6 pessoas por grupo; em esplanada, 10 pessoas por grupo);
• Espetáculos culturais até às 22h30;
• Casamentos e batizados com 50 % da lotação;
• Comércio a retalho alimentar, não alimentar e prestação de serviços até às 21h00;
• Permissão de prática de todas as modalidades desportivas, sem público;
• Permissão de prática de atividade física ao ar livre e em ginásios;
• Eventos em exterior com diminuição de lotação, a definir pela Direção -Geral da Saúde (DGS);
• Lojas de Cidadão com atendimento presencial por marcação.

Estas medidas passam a aplicar-se aos seguintes concelhos:

  • Alcochete;
  • Alenquer;
  • Arruda dos Vinhos;
  • Avis;
  • Braga;
  • Castelo de Vide;
  • Faro;
  • Grândola;
  • Lagoa;
  • Lagos;
  • Montijo;
  • Odemira;
  • Palmela;
  • Paredes de Coura;
  • Portimão;
  • Porto;
  • Rio Maior;
  • Santarém;
  • São Brás de Alportel;
  • Sardoal;
  • Setúbal;
  • Silves;
  • Sines;
  • Sousel;
  • Torres Vedras;
  • Vila Franca de Xira.

Rui Moreira preocupado

O presidente da Câmara do Porto afirmou estar “muito preocupado” com a situação pandémica e considerou que as medidas aplicadas ao concelho vão ter “um fortíssimo e negativo impacto” na vida dos portuenses e na economia.

Tive conhecimento disso há pouco. Naturalmente, estou muito preocupado com a situação da pandemia e muito preocupado com estas medidas que, como é evidente, têm um fortíssimo e negativo impacto na vida das pessoas, dos portuenses e na nossa economia”, afirmou o independente Rui Moreira.

Em declarações aos jornalistas, disse não querer pronunciar-se sobre algumas das medidas adotadas, como a limitação de circulação na via pública até às 23:00, considerando que “num país com tantos especialistas, não é o presidente da Câmara do Porto que se pode pronunciar”.

Não me cabe agora dizer seja o que for. O Governo tem, nesta matéria, uma soberania de autoridade do Estado e no Porto cumpriremos, como sempre cumprimos, aquilo que são as normas decididas por quem de direito”, salientou.

Rui Moreira referiu que apesar de parte significativa da população estar vacinada, a população mais velha protegida e a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, a atual situação é “preocupante do ponto de vista sanitário”.

A segunda questão que me preocupa muito é a questão da nossa economia e emprego. A pandemia tem tido consequências muito duras no emprego na cidade do Porto, nos pequenos negócios da cidade e estas medidas anunciadas têm este impacto”, afirmou.

Questionado sobre o impacto dos festejos da noite de São João no aumento do número de casos de infeção pelo SARS-CoV-2, o autarca referiu que “a pandemia não começou no Porto”.

Sabemos como é que a situação estava e onde estava há três semanas atrás. Aquilo que verificamos foi que os portuenses, na sua esmagadora maioria, agiram no S. João com grande moderação”, disse.

Já quanto aos parques de diversão, o autarca afirmou que a decisão de se manterem ou não em funcionamento até dia 18 de julho cabe ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Porto Ocidental.

O ACES Ocidental permitiu que os parques estivessem abertos até ao dia 18 com reforço e polícia, que tem sido feito. Será o ACES a decidir isso, essa decisão não cabe ao presidente da câmara”, acrescentou.

António Guimarães