Um estudo da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) concluiu, com base num inquérito feito a 632 jovens LGBT+, que a maioria não se sentiu confortável no seio familiar durante o confinamento. 

Em comunicado, a FPCEUP adianta esta segunda-feira que o estudo visava “avaliar a saúde psicológica e as redes de apoio social” de jovens LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e outras minorias sexuais e de género) que vivem com os pais durante a pandemia da covid-19. 

Os resultados agora apresentados representam a “primeira fase do estudo”, que durante o estado de emergência decretado em Portugal inquiriu 632 pessoas LGBT+, com idades entre os 16 e 35 anos. 

Segundo o estudo, a maior parte dos participantes vive habitualmente com os pais e “dadas as circunstâncias” um em cada cinco regressou às mesmas. 

Dos inquiridos, 59% afirmaram estar desconfortáveis no seio familiar e três em cada 10 sentiram-se “bastante desconfortáveis” a viver em casa dos pais durante o confinamento social. 

Além disso, 35% dos jovens sentiram-se “sufocados” por não poderem expressar a sua identidade no seio familiar, sendo que no caso dos jovens cuja família tinha conhecimento da sua identidade, 35% afirmaram que as mesmas “lidam mal ou muito mal” com isso. 

Este estudo, com caráter longitudinal e intercultural, concluiu ainda que seis em cada 10 participantes consideraram que a pandemia afetou “bastante” a sua vida.

No que concerne às redes de apoio social, metade dos jovens admitiram sentir-se isolados dos seus amigos e 35% “extremamente isolados” do namorado ou namorada. 

Quanto ao presente estudo, se para alguns e algumas jovens a pandemia da Covid-19 não teve impacto nas suas redes de apoio social, uma proporção importante sentiu-se bastante isolada dos seus amigos”, refere a FPCEUP. 

Apesar destes resultados serem “preliminares”, o estudo recomenda que “os serviços de apoio, abrigos e demais redes de apoio social permaneçam particularmente atentos e disponíveis durante este período para atender às necessidades dos jovens LGBT+”.

O próximo passo da equipa de investigadores será aprofundar em que medida estas circunstâncias afetam a curto, médio e longo prazo a saúde psicológica destes jovens. 

/ AG