A Associação de Médicos de Saúde Pública apelou à população para ter “algumas cautelas” em celebrações familiares e noutros contextos, lembrando que a vacina contra a covid-19 não é “100% eficaz” e que a “pandemia ainda não acabou”.

A pandemia ainda não acabou, temos ainda uma incidência em crescendo, com particular destaque na região de Lisboa e Vale do Tejo, que não podemos ignorar”, advertiu o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, em declarações à agência Lusa a propósito do aumento do número de casos e de internamentos por covid-19.

O número de internamentos e de contágios tem vindo a registar nos últimos dias um aumento, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. A região de Lisboa e Vale do Tejo registou 274 novos casos nas últimas 24 horas, o que representa 52,7% por cento do total nacional.

Nesse sentido, Ricardo Mexia salientou a importância de se manter as medidas de proteção individual como o distanciamento físico, evitar as aglomerações de pessoas, manter uma boa higienização das mãos e o uso da máscara.

O especialista em Saúde Pública e epidemiologista adiantou que, com o aumento da cobertura vacinal, as pessoas sentem cada vez mais confiança, contudo, disse, “a vacina não é 100% eficaz”, podendo haver pessoas que podem desenvolver a doença mesmo vacinadas.

O propósito das vacinas é evitar a doença grave e a morte”, sublinhou o especialista, explicando que as pessoas podem eventualmente ter situações “mais benignas da doença”, mas que não impede que a possam transmitir a outros.

Por isso, defendeu, “apesar de já podermos, e bem, realizar um conjunto de atividades, convém que tenhamos algumas cautelas nesse contexto, para evitarmos que a situação se degrade e que haja eventualmente mais casos junto da nossa família e dos nossos amigos”.

A este propósito, assinalou “o número relevante” de casos e surtos com “uma dimensão apreciável” que têm ocorrido em celebrações familiares como aniversários, casamentos, batizados.

Para Ricardo Mexia, “é fundamental” que as pessoas tenham cautela nestes eventos, fazendo, por exemplo, um teste à covid-19 antes de se juntarem com outros, uma medida que diz “poder ajudar a identificar um caso que iria gerar eventuais cadeias de transmissão”.

Por outro lado, também é necessário estar atento às “variantes de interesse” do coronavírus SARS-CoV-2, como a Delta, identificada pela primeira vez na Índia, que podem ser “mais transmissíveis e mais severas”.

Podem eventualmente ser menos sensíveis às vacinas ou até eventualmente - até agora, aparentemente, não temos nenhuma nessa situação - haver alguma que seja difícil de detetar com os nossos atuais dispositivos diagnósticos, portanto são diversas coisas que podem acontecer com as novas variantes. É algo que não podemos descurar”, advertiu.

Deu o exemplo do Reino Unido, que tem tido “um crescimento importante” da variante Delta, que está a preocupar o país e Portugal também.

Ricardo Mexia realçou, contudo, que existem “duas ferramentas” que podem ajudar à retoma da vida “dita normal”: a vacinação e os testes para interromper cadeias de transmissão.

/ HCL