O diretor clínico do Hospital da Cruz Vermelha de Lisboa analisou este sábado o atual estado da pandemia de covid-19. Com cerca de 40 mil casos em quatro dias, Manuel Pedro Magalhães afirma que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atingiu o limite da capacidade.

Para o especialista, existe um problema nos recursos humanos no SNS, e aponta como solução ir buscar médicos e enfermeiros reformados, até porque "não há muitos profissionais disponíveis", sendo que os que estão no ativo podem estar perto de um ponto de rutura.

Manuel Pedro Magalhães é taxativo quando aponta que "não é pelo lado da resposta aos doentes que vamos conseguir segurar esta crise, é pelo lado da diminuição do número de infetados e da contenção das pessoas".

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A principal resposta à crise é, como em todo o mundo, a vacinação. Ainda assim, o cirurgião cardiotorácico lembra que para que o programa de vacinação seja completado é necessário imunizar cerca de oito milhões de pessoas.

O médico refere que este é um plano de grande dimensão, apelando novamente à contenção, até porque muitos profissionais de saúde e outros essenciais na vacinação podem ficar indisponíveis.

Falando concretamente sobre a época festiva que passou, nomeadamente o Natal, em que houve um alívio das medidas por parte do Governo, Manuel Pedro Magalhães defende que deveria ter havido medidas mais rígidas em termos de contenção e de confinamento. Apesar disso, o especialista lembra que aquela é uma altura específica e que seria difícil adotar restrições mais apertadas.

Estamos a sentir os efeitos do que se passou no Natal e na passagem de ano", disse.

O diretor clínico do Hospital da Cruz Vermelha alerta que a situação atual também afeta outras patologias, uma vez que o SNS fica em rutura para todas as especialidades.

Sobre as medidas que devem entrar em vigor na próxima semana, sendo que o Governo já admitiu o regresso a um novo confinamento, Manuel Pedro Magalhães recorda que é "um caminho que está a ser seguido noutros países".

António Guimarães