Portugal entrou este domingo naquilo a que o Governo chamou "autoconfinamento". Apesar disso, as medidas de restrição mais graves foram impostas a 18 de janeiro, quando o nosso país já verificava uma clara aceleração da pandemia de covid-19.

Pouco menos de duas semanas depois, os números ainda não estão a baixar de forma consistente. Ainda este domingo voltámos a igualar o número de mortes diárias (303), e os casos diários teimam em baixar dos 15 mil quando se referem a dias úteis,.

Mesmo perante este cenário, há menos pessoas a cumprir as medidas impostas pelo Executivo. Esta quinta e sexta-feiras, o confinamento chegou a ficar abaixo dos 50%.

As conclusões são apresentadas pela PSE, empresa de estudo de dados e de pesquisa avançada, que traça um cenário de incumprimento por parte da população.

A investigação concluiu que há menos pessoas na via pública desde 15 de janeiro, mas essa tendência parece ter-se revertido nos últimos dias.

O confinamento vem descendo de forma consistente desde 26 de janeiro, sendo que no dia 29 (sexta-feira) apenas 23% das pessoas terá cumprido o dever cívico de recolhimento obrigatório, quando comparando com a primeira altura do confinamento, em 2020.

Comparativamente com o primeiro confinamento, ocorrido entre março e abril de 2020, estamos agora com menos 10% de pessoas a cumprir as regras, ainda que a situação seja muito pior em termos de casos e de mortes.

Recorde-se que o Governo impôs medidas como o fecho de todas as escolas até 5 de fevereiro, acrescentando que o regresso da atividade será feito de forma não presencial.

Além disso, foi pedido um reforço do teletrabalho, sendo que as fiscalizações do cumprimento desta medida também aumentaram. Adicionalmente, o Executivo aprovou ainda o agravar de multas para incumprimentos relacionados com a pandemia.

Portugal registou este domingo 303  mortes relacionadas com a covid-19 e 9.498 casos de infeção por SARS-CoV-2, segundo a Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 12.482 mortes associadas à covid-19 e 720.516 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando ativos 181.623 casos.

António Guimarães