O número de mortos por Covid-19 tem vindo a aumentar diariamente em Portugal, mas o número de doentes recuperaods não se altera há três dias. Rita Sá Machado, médica de saúde pública e Chefe de Divisão de Epidemiologia e Estatística da Direção-Geral da Saúde (DGS), explicou, esta segunda-feira no Jornal das 8 da TVI, que isto acontece porque os óbitos são eventos fáceis de medir, mas dar um doente como recuperado depende de vários fatores, que podem demorar algum tempo.

Os óbitos são eventos de vida fáceis de medir. (…) Muito facilmente se consegue medir o numero de óbitos diário”, começou por dizer Rita Sá Machado.

Mas dar um doente como recuperado é um processo que pode demorar algum tempo. A especialista lembrou que a grande maioria dos doentes de Covid-19, cerca de 88% dos doentes, estão em casa e não em hospitais e que muitos terão de se deslocar para fazerem os testes ao coronavírus.  Por outro lado, a cura do doente depende de dois testes negativos em 24 horas e basta um teste dar inconclusivo para o processo ser mais demorado.

Necessitamos de dois testes negativos para que seja encarada a cura, a recuperação do doente. Isto significa que podemos ter períodos mais longos." 

Rita Sá Machado frisou que, na China, a forma de contabilização dos doentes recuperados alterou-se com a evolução da doença e que o mesmo poderá acontecer em Portugal.

Com outra evolução epidemiológica poderemos mudar os critérios", notou.

Segundo o balanço da DGS feito esta segunda-feira, Portugal regista agora 735 mortes por Covid-19, com um total de 20.863 casos confirmados.

São mais 21 mortes e 657 casos, o que se traduz num aumento de 3,5% em relação ao dia anterior. Este é o menor aumento de mortes desde o dia 7 de abril.

Sofia Santana