O matemático Carlos Antunes, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa traçou esta terça-feira um cenário para a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal. Para o especialista, e numa altura em que se batem frequentemente os recordes diários de casos e de mortes, estamos apenas "a meio do caminho".

O professor explica que existe toda uma cadência de evolução, com dados que são consequências de outros: "para atingirmos o máximo de óbitos teremos de atingir primeiro o máximo de internamentos e cuidados intensivos e antes disso teremos de atingir o máximo de casos diários".

Carlos Antunes refere que os indicadores apontam que esse ponto está próximo, mas que faltarão ainda "uma a duas semanas" para que se chegue ao pico de contágios. Apenas uma semana depois disso é que o número de internamentos poderá começar a suavizar.

Lembrando que em 25 dias se acumularam quatro mil mortes, o matemático aponta que, por volta do dia 11 de março possam ter morrido em Portugal 27 mil pessoas vítimas da pandemia. Isso significa que em pouco mais de dois meses morreriam no nosso país perto de 16 mil pessoas relacionadas com a doença, um média diária aproximada de 360 mortes, quando o valor mais alto até agora registado é de 291.

Estamos a dizer que nos próximos dois meses vão morrer mais pessoas que nos últimos dez meses", referiu.

Apesar dos números, Carlos Antunes faz a ressalva que estas previsões assentam nos dados atuais, admitindo que um abaixamento nos casos diários pode fazer diminuir os dados prognosticados.

Segundo a curva traçada pelo especialista, será sempre muito difícil que Portugal não chegue aos 360 óbitos diários, algo que considera trágico.

Questionado sobre a interrupção da atividade letiva e a sua eficácia, Carlos Antunes afirma que é ainda cedo para avaliar os resultados. O matemático traçou um cenário que aborda precisamente a incidência da covid-19 nos jovens, concluindo que esses dados aumentaram nos últimos meses.

Os grupos dos 13 aos 24 são os que têm maior incidência", explicou.

Com as medidas aplicadas pelo Governo nas escolas, o professor espera que se possam começar a ver resultados na diminuição da taxa de infeção na idade escolar dentro de alguns dias. 

António Guimarães