A ministra da Saúde afirmou esta segunda-feira que Portugal está a atravessar aquilo que entende ser um "confinamento extraordinariamente austero", relembrando que os serviços de saúde estão limitados e que a atividade letiva foi interrompida. Em entrevista à RTP, Marta Temido fala num "momento extremo", que acaba por justificar "medidas mais gravosas".

Em comparação com aquilo que foi a primeira vaga, a governante admite que esta é uma situação diferente.

Confrontada com a possibilidade de Portugal transferir doentes para outros países da União Europeia, Marta Temido afirma que estão a ser acionados todos os meios, reconhecendo constrangimentos geográficos pelo facto de Portugal estar numa penísula.

Ainda assim, a ministra da Saúde disse que esta é uma hipótese a equacionar, até porque o país apresenta os piores dados de toda a União Europeia. A responsável afirma que ainda existem camas disponíveis nos hospitais portugueses, acrescentando que o problema se centra na escassez de meios humanos para trabalhar nas unidades.

O Governo português está a acionar todos os mecanismos de que dispõe, designadamente no quadro internacional, para garantir que presta a melhor assistência aos utentes”, afirmou Marta Temido, num programa de informação da RTP sobre a pandemia.

Marta Temido reconhece a urgência da situação, uma vez que há hospitais a atingirem o ponto de rutura por todo o país.

Nós temos camas disponíveis, o que muito dificilmente conseguimos ainda gerir são os recursos humanos”, admitiu.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, novamente um número de mortos procados pela covid-19 acima dos 250. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Direção Geral de Saúde, Portugal regista mais 6.923 novos casos.

António Guimarães / com Lusa