Portugal recebeu este domingo um lote de 43.200 vacinas da AstraZeneca, o primeiro deste laboratório, informou à Lusa a task force para o plano nacional de vacinação contra a covid-19.

Informa-se, após efetuados os normais procedimentos de verificação, da chegada a Portugal hoje domingo, 07 de fevereiro, de um lote de 43.200 vacinas da AstraZeneca", adiantou a task force numa breve declaração enviada à Lusa.

Esta é a terceira vacina contra o novo coronavírus a chegar ao país, depois da Pfizer e da Moderna.

A entrega acontece no dia em que a África do Sul anunciou a suspensão temporária do seu programa de vacinação covid-19 após um estudo ter demonstrado uma eficácia "limitada" da vacina AstraZeneca/Oxford contra a variante do novo coronavírus detetada no país.

O programa de vacinação deveria começar nos próximos dias com um milhão de vacinas desenvolvidas pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

O primeiro lote do consórcio AstraZeneca/Oxford foi recebido em Portugal um dia após a chegada a Espanha das primeiras 196.800 doses, segundo o Ministério da Saúde espanhol.

Numa atualização do processo de vacinação contra a covid-19 em Portugal até 01 de fevereiro, a ministra da Saúde, Marta Temido, referiu que o país já recebeu mais de 400 mil vacinas, 387.270 da BioNTech/Pfizer e 19.200 da Moderna.

Da BioNTech/Pfizer chegaram 86.580 vacinas, das quais 11.700 foram enviadas para os Açores e 11.700 para a Madeira.

Para fevereiro estão previstas mais duas entregas de vacinas da Moderna e três da Pfizer e a segunda da vacina da AstraZeneca, a mais recente a ser aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, tendo Marta Temido afirmado que as entregas desta farmacêutica totalizam 200 mil.

A entrega do primeiro lote da AstraZeneca a Portugal acontece no mesmo dia em que foi revelado que esta vacina oferece proteção limitada contra a variante detetada na África do Sul, segundo resultados preliminares de um estudo que será publicado na segunda-feira.

A pesquisa realizada por especialistas das universidades de Oxford e da sul-africana de Witwatersrand - cujas descobertas foram avançadas, no sábado, pelo jornal britânico Financial Times - mostrou que a vacina tem uma eficácia limitada contra essa mutação.

A entrega surge também num momento em que vários países estão a desaconselhar a administração desta vacina a pessoas com mais de 65 anos.

Na semana passada, e no meio de um conflito contratual da farmacêutica anglo-sueca com a Comissão Europeia, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) deu "luz verde" à utilização da vacina da AstraZeneca/Oxford para ser administrada a adultos a partir dos 18 anos, sem impor um limite superior de idade.

Até ao momento, Portugal não emitiu nenhuma recomendação relativa à vacina AstraZeneca/Oxford.

A 'task force' para o plano nacional de vacinação contra a covid-19 tem uma reunião prevista para segunda-feira, a primeira a ser dirigida pelo vice-almirante Gouveia e Melo, que na quarta-feira substituiu o anterior coordenador, Francisco Ramos, que se demitiu do cargo, alegando irregularidades no processo de escolha para inoculações no Hospital da Cruz Vermelha, onde é presidente da comissão executiva.

O plano nacional de vacinação contra a covid-19 arrancou em 27 dezembro com a administração das vacinas aos profissionais de saúde dos hospitais diretamente envolvidos na prestação de cuidados aos doentes.

Segundo disse na quinta-feira a ministra da Saúde, o país tinha nesse dia "cerca de 378 mil inoculações de vacinas” contra a covid-19.

Na terça-feira, arrancou a vacinação em centros de saúde de idosos com 80 ou mais anos e de pessoas com mais de 50 anos com doenças associadas.

A campanha de vacinação contra a covid-19 foi planeada de acordo com a disponibilidade das vacinas contratadas para Portugal, que estão a ser administradas faseadamente a grupos prioritários, até que toda a população elegível esteja vacinada.

A fase 1 abrange os profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes, funcionários e utentes de lares de idosos e da rede nacional de cuidados continuados integrados, assim como elementos das forças armadas, das forças de segurança, de serviços críticos e titulares de órgãos de soberania e altas entidades públicas.

. / Publicada por MM - Atualizada às 21:35