Portugal vai suspender toda a vacinação contra a covid-19 com o produto da AstraZeneca, anunciaram esta segunda-feira a Direção-Geral da Saúde, o Infarmed e task force de vacinação. O nosso país torna-se assim no 12.º Europa a anunciar esta decisão, depois de Dinamarca, Bulgária, Noruega, Países Baixos, Islândia, Irlanda, Alemanha, França, Espanha, Itália e Eslovénia.

Esta recomendação tem como base o "princípio da precaução em saúde pública", e surge depois de terem sido conhecidos novos casos de reações adversas após administração da vacina da AstraZeneca, que vão desde graves reações alérgicas até episódios de tromboses, provocados por coágulos.

Apesar disto, o presidente do Infarmed referiu que não foi ainda encontrado um nexo de causalidade entre a toma da vacina e as reações adversas registadas. Rui Santos Ivo esclareceu ainda que nenhum desses casos foi registado em Portugal.

A diretora-geral da Saúde afirma que já foram administradas cerca de 17 milhões de doses da vacina, sendo que o número de reações adversas foi muito pequeno.

Apesar de as reações adversas mencionadas serem extremamente graves, são também extremamente raras", referiu Graça Freitas.

Ainda sobre este assunto, Rui Santos Ivo acrescentou que foram registados dois casos de tromboembolismo, mas que não estão relacionados com os outros quadros clínicos registados na Europa.

Dirigindo-se às pessoas que foram vacinadas com AstraZeneca em Portugal, a responsável pede que se mantenha a tranquilidade, lembrando que não houve casos semelhantes em Portugal.

Gostava que se mantivessem atentos. Se sentirem mau estar persistente, e se for acompanhado de nódoas negras ou hemorragias cutâneas, consulte de imediato um médico.

Segundo o coordenador da task force, a grande consequência desta suspensão está relacionada com a alteração da vacinação dos professores, que estava marcada para o próximo fim de semana.

Com esta decisão, os planos que estavam execução foram postos em pausa", indicou Henrique Gouveia e Melo, que remeteu um reatamento do plano para quando as dúvidas em torno da AstraZeneca estiverem desfeitas.

Quanto a estas doses, Portugal fica com cerca de 200 mil doses armazenadas, tendo já sido administradas 400 mil.

Relativamente a objetivos, o vice-almirante afirmou que a primeira fase de vacinação em Portugal deverá estar terminada em abril. As doses já compradas por Portugal vão manter-se armazenadas, sendo que a task force entende que nenhuma das doses será desperdiçada, uma vez que estão devidamente acondicionadas. 

Henrique Gouveia e Melo admite que este percalço pode atrasar em duas semanas o processo de vacinação em todo o território nacional. Em comunicado, a DGS prevê o fim da primeira fase para a terceira semana de abril.

O processo vai adiar cerca de duas semanas. O prazo era meados de abril, nunca dissémos exatamente qual a semana", disse o coordenador.

Relativamente à população a que estavam destinadas as doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca e pela Universidade de Oxford, Henrique Gouveia e Melo referiu que os professores eram um dos grupos previstos para este fim de semana e que esse processo será adiado, mas assegurou que os utentes com mais de 50 anos com comorbilidades não deixarão de ser vacinados com as doses disponíveis das outras vacinas autorizadas.

Eles serão atingidos não por esta vacina, mas serão vacinados com as vacinas que estão a ser utilizadas da Pfizer e da Moderna, adiando em cerca de duas semanas o seu processo de vacinação. Mas, em meados de abril todos esses utentes estarão vacinados”, garantiu, acrescentando: “Vamos concentrar as vacinas que estão disponíveis nos grupos mais prioritários, diminuindo nos grupos de resiliência. Vamos conseguir cumprir com as metas que tínhamos determinado”.

A farmacêutica anglo-sueca já disse que não há motivo para preocupação com a sua vacina e que houve menos casos de trombose relatados nas pessoas que receberam a injeção do que na população em geral.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmaram que os dados disponíveis não sugerem que a vacina da AstraZeneca tenha causado os coágulos e que as pessoas podem continuar a ser imunizadas com esse fármaco.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou, entretanto, que o comité de especialistas desta agência das Nações Unidas "está a rever os dados disponíveis" sobre a vacina desenvolvida pela farmacêutica e pela Universidade de Oxford e vai reunir-se na terça-feira para discutir a vacina.

António Guimarães