Na conferência de imprensa de balanço da situação de covid-19 desta sexta-feira, a ministra da Saúde revelou que Portugal apresentou uma taxa de incidência de 32,6 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias, valor que sobe para 55,8 relativamente aos últimos 14 dias.

Marta Temido referiu também que existem 111 surtos ativos na região Norte, 13 na região Centro, 60 em Lisboa e Vale do Tejo, 10 no Alentejo e 12 no Algarve. A governante indicou ainda que o risco de transmissibilidade (RT) está estimado em 1,14, variando entre 1,25 e 1,07 no Centro e no Algarve, respetivamente.

Face a esta subida dos números que tem vindo a ser verificada, a ministra destacou a importância da aprovação das medidas de contingência que entram em vigor no próximo dia 15 de setembro.

A situação epidemiológica do país exige um redobrar do esforço de todos”, afirmou a ministra, sublinhando as medidas de contenção determinadas pelo governo na reunião do conselho de ministros de quinta-feira.

Apesar de afirmar que o Serviço Nacional de Saúde está mais bem preparado, Marta Temido referiu que "há um risco real" até à chegada de uma vacina eficaz.

Só com um esforço individual podemos reduzir novamente o crescimento da transmissão, reduzir a curva, achatar a curva", disse, apelando à responsabilidade individual e ao respeito pelas normas de segurança.

Ação nas escolas e apoios aos pais

Questionada sobre quais os focos de atuação nos lares de idosos e nas escolas, a ministra da Saúde referiu que essa deve ser uma resposta dada de forma alargada pelo Governo.

Sobre eventuais ajuntamentos nas escolas e comportamentos de risco dos alunos, Marta Temido relembrou que "somos todos agentes de saúde pública", pedindo à sociedade civil que alerte para possíveis incumprimentos das normas.

Estamos num período de adaptação do funcionamento das escolas a novas regras mas temos um quadro normativo que permite dar enquadramento aos riscos", acrescentou.

Relativamente a um eventual fecho das escolas, a diretora-geral da Saúde afirmou que o total encerramento de um estabelecimento de ensino será uma exceção.

Para que este seja um cenário real, Graça Freitas diz que há certos parâmetros, como o número de casos efetivos ou suspeitos e qual o nível de circulação das pessoas infetadas, que podem definir essa decisão excecional.

Um caso numa escola, dois, três ou quatro que estejam mais ou menos isolados não tem o mesmo significado que um, dois, três ou quatro casos que comuniquem muito com outras pessoas, que passem de sala para sala... Tem de haver uma avaliação do risco pela autoridade de saúde que tem a escola sob a sua alçada", afirmou.

Para a diretora-geral da Saúde, a decisão de fechar uma escola é "complexa", pelo que não deve ser tomada por apenas uma autoridade. Assim, esta decisão conjunta diz respeito à autoridade de saúde local em coordenação com a autoridade de saúde regional e com a Direção-Geral da Saúde (DGS), que tomará a decisão última, que pode passar pelo encerramento da escola.

O impacto de fechar uma escola é tão grande que tem de haver critérios, uniformização, ponderação, porque é uma decisão de grande responsabilidade", referiu, voltando a vincar que a primeira ação tratará de isolar a turma, deixando o fecho da escola para último caso.

Relativamente aos apoios aos pais das crianças que tenham de ser enviadas para casa, Marta Temido vincou que "os pais têm o direito ao acompanhamento dos filhos menores", algo que está previsto na lei, e que permite a proteção dos pais dessas crianças.

StayAway Covid e dados do INE

Questionada pelos dados da aplicação de rastreio StayAway Covid, a ministra da Saúde avançou que já foram feitos cerca de 780 mil downloads, um número que considera "encorajador".

Marta Temido acrescentou ainda que já foram feitas 32 chamadas para o SNS24 para reportar contactos com base na aplicação móvel.

Sobre os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que aponta mais 5.882 mortes entre 1 de março e 30 de agosto face a 2019, a diretora-geral da Saúde referiu que o sistema de cálculo das causas de morte ainda é feito com base retrospetiva, pelo que as causas de morte avaliadas em 2020 ainda dizem respeito a codificações do ano de 2019.

Ainda assim, Graça Freitas afirmou que, por se tratar de um ano excecional, houve deslocamento de recursos para aferir números relativamente a covid-19.

A diretora-geral da Saúde referiu que os picos de morte podem ser sinalizados por vários fenómenos, incluindo picos de gripe, ondas de calor e frio e, como poderá ser o caso deste ano, a covid-19.

António Guimarães