Portugal vai fazer estudos, à semelhança de outros países, para conhecer a percentagem da população que desenvolveu anticorpos contra Covid-19, disse esta quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Quem desenvolveu anticorpos é porque teve contacto com a doença e entra para o conjunto dos imunizados", afirmou Graça Freitas, durante a conferência de imprensa diária no Ministério da Saúde, no âmbito da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS) respondia a uma questão sobre o número real de população infetada pelo novo coronavírus.

Relativamente a casos que poderão não estar contabilizados, Graça Freitas justificou que existe sempre um atraso no número de infeções que estão notificadas.

As pessoas adoecem num determinado dia, com sintomas ligeiros, e só entram no radar do sistema de saúde quando procuram apoio de profissionais de saúde, seja através da linha telefónica, seja presencial", explicou.

Outros países que enfrentaram pandemias mais cedo fizeram estimativas de quantas pessoas nunca entraram no radar do sistema de saúde porque não estavam sintomáticas, referiu.

Porém, de acordo com Graça Freitas, ainda há dados "muito insuficientes e muito diferentes de país para país", que não permitem uma extrapolação para a realidade portuguesa. "Faz parte das incertezas", disse.

Daqui a algum tempo saberemos, de facto, as pessoas que foram assintomáticas, porque Portugal, como os outros países, vai fazer estudos sorológicos para perceber que quantidade da sua população, que percentagem da sua população, desenvolveu anticorpos", avançou a diretora-geral.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia Covid-19, já infetou perto de 866.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 43.000.

Dos casos de infeção, pelo menos 172.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 468.000 infetados e mais de 31.000 mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos. Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 12.428 óbitos, em 105.792 mil casos confirmados até terça-feira.

Em Portugal, segundo o último balanço feito pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera (+16,9%), e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira (+10,9%).

Dos infetados, 726 estão internados, 230 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 2 de abril. Já durante a tarde desta quarta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o Governo dava um parecer favorável à prolongação do estado de emergência.

Governo diz que ainda é cedo para tirar conclusões sobre efeito das medidas

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que ainda é cedo para conclusões sobre os efeitos das medidas de combate à covid-19, apesar de se verificar um abrandamento na tendência de expansão do vírus.

É verdade que nos últimos dias se tem verificado essa tendência, mas é ainda cedo para tirar essa conclusão", afirmou o governante durante a habitual conferência de imprensa, em Lisboa, quanto questionado sobre as medidas de restrição impostas pelo Governo à população.

Neste sentido, garantiu que a linha a seguir será "não abrandar, para já" as medidas em vigor, no âmbito do estado de emergência.

Estas medidas foram bem tomadas, no tempo certo e, provavelmente, alguns desses números estão a dizer-nos exatamente isso", disse o secretário de Estado, referindo-se aos dados nacionais do boletim diário divulgado pelas autoridades de saúde.

"Temos de estar sempre preparados para o pior", assumiu.

/ AG