Problemas informáticos impediram a Direção-geral de Saúde de fornecer os dados diários da pandemia de Covid-19 em Portugal até ao início da tarde deste sábado, como habitual, avançou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Esta madrugada ocorreu uma alteração técnica nas configurações de acesso, não comunicada previamente, num sistema crítico da Microsoft. Esta intervenção afetou sistemas em vários países europeus e teve como consequência o atraso do acesso dos técnicos da DGS aos dados que permitem a construção do boletim, anunciaram a Direção-geral de Saúde e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, mais tarde, em comunicado conjunto.

As autoridades de Saúde explicaram ainda que conseguiram recuperar os acessos, mas a geração do boletim na hora habitual "ficou comprometida, em virtude da instabilidade gerada por esta intervenção".

Na habitual conferência de imprensa, quando questionada sobre o aumento de casos positivos na região de Lisboa, a ministra da Saúde assegurou que este "não está relacionado com o desconfinamento".

Marta Temido adiantou ainda que foram realizados 14.000 testes ao novo coronavírus, numa "operação de rastreio maciça" na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

É muito provavel que o número de casos na Região de Lisboa e Vale do Tejo venha a crescer nos próximos dias", admitiu a ministra da Saúde.

Sobre o início da época balnear, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, apelou à população jovem, "que felizmente sofre pouco as consequências da doença, mas que contribuem para que a doença se propague entre os outros" para reforçar as medidas de contenção.

A época balnear preocupa-nos a todos", considerou Graça Freitas.

Número de testes não está “depurado de repetições”

O número de testes à Covid-19 realizados em Portugal não está “depurado de repetições”, explicou a ministra da Saúde.

Marta Temido especificou que o número de testes é “global”, abrangendo “não só os testes de novos casos, mas os testes de repetição de doentes curados ou até de verificação de casos positivos”.

A ministra da Saúde frisou, porém, que “o número de testes não tem parado de aumentar”, tendo sido realizados, desde 01 de março, 908.291 testes de diagnóstico, dos quais 8,8% em março, 38% em abril, 46% em maio e 6,6% nos primeiros cinco dias do mês corrente.

Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, a que mais preocupa as autoridades sanitárias nesta altura, “situa-se agora na ordem dos 14 mil testes”, concretizou a ministra, querendo com isso demonstrar “o aumento da estratégia de testagem”.

Graça Freitas apela a gozo da época balnear, mas "com regras"

A diretora-geral da Saúde apelou hoje para que as pessoas desfrutem da época balnear, que hoje teve início, sem esquecerem as regras, e pediu especialmente aos jovens que não contribuam para a propagação da Covid-19.

Graça Freitas sublinhou a importância de manter o distanciamento físico em relação a pessoas de fora do agregado familiar, de não partilhar garrafas, copos ou outros objetos, além de recomendar a utilização de máscara e a higienização adequada.

A diretora-geral da Saúde dirigiu-se especialmente aos mais jovens, para que tomem as precauções necessárias para não serem agentes de transmissão do vírus e não coloquem outros em risco.

O nosso apelo é muito para a população jovem, que felizmente sofre pouco as consequências da doença, mas que contribui para que a doença se propague entre os outros, que atinja pessoas mais velhas, pessoas mais vulneráveis e, sobretudo, aquilo que nós não queremos, que é manter cadeias de transmissão ativas no nosso país, para que a nossa vida social e a nossa vida económica voltem ao normal, dentro do possível, o mais rapidamente possível", sublinha a responsável máxima da Direção-Geral da Saúde.

Segundo Graça Freitas, as autoridades vão estar atentas à forma como vai correr o início da época balnear.

Também a ministra da Saúde, Marta Temido, pediu que as regras de distanciamento social, de etiqueta respiratória e de higienização das mãos e das superfícies sejam cumpridas, apelando à "consciência individual e civismo".

A melhor forma de homenagear todos aqueles que neste momento continuam a trabalhar e a dar o seu melhor para responderem às necessidades essenciais dos portugueses é cada um de nós ter sempre presente que a atuação de cada um condiciona aquilo que são os serviços de saúde e os serviços essenciais", frisou a governante.

Suspensão da atividade não urgente em hospitais perto de Lisboa vai manter-se

A suspensão da atividade não urgente em hospitais de Lisboa, Amadora, Sintra, Loures e Odivelas vai continuar "enquanto se mantiver a situação epidemiológica que justifica algum estado de alerta", disse hoje a ministra da Saúde.

Marta Temido disse ter a expetativa de que, "nas próximas semanas, seja possível regressar àquilo que é o patamar com que estamos na resposta em todos os hospitais do país e retomar a recalendarização da atividade programada, neste momento suspensa".

Rafaela Laja / Com Lusa/ atualizada às 16:30