O processo de vacinação contra a covid-19 deve arrancar em Portugal entre os dias 27 e 29 de dezembro, bem como em toda a União Europeia, que antecipou a data da aprovação da vacina da Pfizer, que é desenvolvida em parceria com a BioNTech.

A aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) deve ser dada a 21 de dezembro, com a autorização de introdução no mercado a estar prevista para 23 de dezembro.

Para já, esta é a única vacina com que os 27 estados-membros podem contar, mas a expectativa é que outras possam chegar ainda no primeiro trimestre. O processo mais avançado será o da Moderna, vacina que foi aprovada esta sexta-feira nos Estados Unidos, único país que já está a utilizar produtos de duas farmacêuticas diferentes. A EMA pode aprovar esta vacina a 12 de janeiro.

Fiando-se naquilo que é conhecido (a aprovação da vacina da Pfizer), o Ministério da Saúde prometeu a chegada de 1,2 milhões de doses de vacina até ao fim do primeiro trimestre de 2021. Mais concretamente serão 1.229.475 doses que estão previstas até ao final de março.

Destas, 9.750 chegam ainda no final do ano, e serão administradas aos profissionais de saúde, que fazem parte das 312.975 doses previstas para janeiro. Seguem-se as chegadas de 429.000 em fevereiro e 487.500 em março. Todas estas vacinas são da farmacêutica Pfizer.

O cenário traçado não contempla, para já, a aquisição de outras vacinas, mas o Governo já divulgou possíveis números para os produtos da Moderna e da AstraZeneca.

Assim, e mediante a altura e a qualidade da aprovação, Portugal poderá vir a receber 227.060 doses de vacina da Moderna até ao fim do primeiro trimestre, sendo que a calendarização está dependente da empresa e também da aprovação.

Relativamente à AstraZeneca, que desenvolve a vacina em parceria com a Universidade de Oxford, existe a possibilidade de Portugal receber até 1.400.000 de doses de vacina até março. Estes valores dependem, naturalmente, do sucesso da aprovação da vacina pela EMA.

Portugal admite ainda vir a receber as vacinas da Johnson & Johnson e da Curevac, mas ainda não existem datas previstas para a receção dos produtos. A União Europeia tinha acordado comprar a vacina da francesa Sanofi, mas um percalço no desenvolvimento do produto adiou em muito a vacina.

Calendário de vacinas. fonte: Governo
Previsão de entrega por empresa (dependente de autorização e capacidade de produção/distribuição Janeiro Fevereiro Março Toral 1.º Trimestre
BioNTech/Pfizer 312.975 429.000 487.500 1.229.475
Moderna       227.060
AstraZeneca/Universidade de Oxford   700.000 700.000 1.400.000

A vacina da Pfizer requer uma armazenação e transporte específicos, devendo ser armazenada a 70 graus negativos. Assim, as autoridades portuguesas estão a colocar em prática uma grande operação logística para receber e distribuir o produto.

Esta vacina é administrada em duas doses, com a segunda a ser dada 21 dias depois da primeira. Assim, é importante referir que as mais de 1,2 milhões de doses de vacinas recebidas até março só vão dar para vacinar cerca de 600 mil pessoas.

A distribuição da vacina vai ser feita por empresas de distribuição por grosso de medicamentos que sejam licenciadas pelo Infarmed.

A nível regional, o Governo prevê alocar 9.750 vacinas para cada uma das regiões autónomas (Açores e Madeira), ficando Portugal Continental com as restantes 293.475. O critério aplicado pelo executivo baseia-se na distribuição da população por território.

A vacina será dada via intramuscular no braço não dominante, sendo que as autoridades vão vigiar todas as eventuais contraindicações daqueles que foram imunizados.

Logística com segurança

Os espaços de armazenamento das vacinas vão ser altamente vigiados pela polícia, incluindo a utilização de meios aéreos e de segurança específica nas instalações.

As pessoas que pretendam ou necessitem aceder aos locais terão de ser previamente acreditadas.

A nível de deslocação, as forças de segurança vão realizar operações de trânsito para facilitar o movimento e o transporte das vacinas. Caso esse transporte seja considerado urgente podem ser acionados meios aéreos.

Todos os transportes vão ser altamente vigiados pela polícia, sendo que os mais críticos terão um sistema de georreferenciação.

Nos locais de vacinação compete às forças de segurança assegurar a ordem e segurança, evitando ajuntamentos.

António Guimarães