Portugal atinge por estes dias os números mais alarmantes no que toca à mortalidade causada pela covid-19. Os especialistas apontam que o pico de mortes ainda não foi atingido, mas os dados que vão surgindo apontam para cenários negros desde o início da pandemia, que entrou no país em março de 2020.

Com efeito, desde então morreram 397 pessoas infetadas com o novo coronavírus nos seus domicílios.

Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, este foi o número de doentes diagnosticados com a doença que morreram em casa até ao dia 18 de janeiro.

Outras 525 mortes ocorreram em lares de idosos ou instituições similares, mas a esmagadora maioria dos óbitos registou-se em ambiente hospitalar: 8.316 até àquele dia.

Refira-se que desde 18 de janeiro Portugal já bateu por várias vezes o recorde diário de óbitos, fixando um novo máximo esta terça-feira, 26 de janeiro, com 291 vítimas mortais contabilizadas, pelo que estes dados serão superiores quando forem atualizados.

Na última semana a média de mortes andou perto das 700 por dia, um valor que representa o dobro do habitual nos períodos homólogos.

Com a maioria das mortes a ocorrer nos hospitais, estas unidades veem-se forçadas a aumentar a capacidade de refrigeração para armazenar cadáveres, com muitos dos corpos a serem estacionados à porta das morgues, esperando espaço.

Neste momento os doentes que morrem na unidade de cuidados intensivos do Hospital Egas Moniz já não têm espaço suficiente na morgue do hospital", explica Catarina Dias, enfermeira naquele serviço da unidade de Lisboa.

Tirando a região Norte, em todas as outras zonas do continente, os hospitais foram obrigados a recorrer a contentores frigoríficos para aumentar a capacidade de armazenamento de cadáveres.

Emanuel Monteiro