A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) emitiram este sábado o primeiro relatório de monitorização das medidas "linhas vermelhas" definidas pelo Governo para o combate à covid-19.

Segundo o relatório, o índice de transmissibilidade (Rt) está a subir em Portugal desde 10 de fevereiro, ainda que se mantenha abaixo de um em quase todas as regiões, com exceção do Algarve, onde está em 1,19.

Quando apresentou o plano de desconfinamento, no dia 11 de março, o Governo definiu um valor máximo de Rt para o território nacional. A acompanhar esse parâmetro está a incidência, dado que revela os casos por 100 mil habitantes num determinado período de tempo, e que, segundo o relatório, "tem vindo a diminuir em todas as regiões", sendo que também aqui se exceciona o Algarve, que tem 112 casos por 100 mil habitantes (o limite máximo definido foi 240).

Como explica o relatório, o atual valor da incidência é de 65,9 casos por 100 mil habitantes, um número bem diferente dos 1669 casos por 100 mil habitantes, valor recorde que se cifrou a 29 de janeiro, e que contribuiu para que Portugal fosse considerado um dos piores casos na gestão da pandemia.

Outras medidas essenciais para a medição da atual situação de covid-19 em Portugal estão relacionados com o número de doentes internados em cuidados intensivos e com a positividade dos testes feitos no país.

Se no pico da terceira vaga chegámos a ter quase mil internados em estado grave, esse número está hoje abaixo dos 200 (126). Aqui, o número limite definido pelo Executivo, em conjunto com os especialistas, foi de 245.

Por último, a positividade de testes em Portugal não deve ultrapassar os 4%, valor que de resto foi também definido pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças. Atualmente esse número cifra-se em 2%, "valor que se mantém abaixo do objetivo definido de 4%, sendo que o total de testes realizados nos últimos 7 dias foi de 152.695", referem DGS e INSA.

A proporção de casos confirmados notificados com atraso mantém uma tendência decrescente", esclarece o relatório.

Quanto à capacidade de rastrear e isolar, informam DGS e INSA que todos os casos notificados nos últimos sete dias foram isolados menos de 24 horas após o diagnóstico. Dos contactos de risco destas pessoas, 91,5% foram rastreados e isolados.

A análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas. Deve, no entanto, atentar-se ao aumento da transmissibilidade numa das regiões do continente. O atual período pascal e o início do desconfinamento são fatores que podem interferir nesta situação, com reflexos que demorarão algumas semanas a ser visíveis", conclui o relatório.

Portugal entra esta segunda-feira numa segunda fase de desconfinamento, na qual as escolas de 2.º e 3.º ciclos, museus, esplanadas, centros de dia e ginásios vão voltar a reabrir.

António Guimarães