O número de internados no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) do surto de Covid-19 em Reguengos de Monsaraz subiu para 17, dos quais seis na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), informou esta sexta-feira o município.

De acordo com o boletim informativo emitido pela Autoridade Municipal de Proteção Civil, estão internados 16 utentes do lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), mais dois do que na quinta-feira, além de um homem infetado e que foi detetado na comunidade.

Cinco dos utentes do lar internados encontravam-se na UCI (mais dois do que na véspera), assim como o único caso comunitário a necessitar de cuidados hospitalares.

Os restantes utentes infetados estão a recuperar nas instalações da FMIVPS e em residências próprias ou de familiares, enquanto todos os funcionários atingidos estão a recuperar nas suas habitações.

Para o final da tarde de hoje, está prevista a transferência de cerca de 60 idosos infetados com Covid-19 do lar da FMIVPS para um pavilhão, transformado em Hospital de Campanha, no parque de feiras de Reguengos de Monsaraz.

Trata-se de "um pavilhão climatizado" e que, "face às temperaturas que se aproximam", na ordem dos 40 graus centígrados, é mais adequado para a qualidade de vida" dos idosos, possuindo "espaços exteriores em que eles podem deslocar-se", pois, o parque de feiras está vedado, indicou à Lusa o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto.

O número de casos ativos registados até hoje subiu, porém, para 142 (eram 138 na quinta-feira), dos quais 94 dizem respeito a utentes (72) e funcionários (22) do lar e 48 da comunidade (mais quatro), num dia em que não houve registo de qualquer óbito por covid-19 no concelho desde a atualização anterior.

Ainda assim, há oito vítimas mortais desde o início do surto detetado em 18 de junho, sete utentes do lar e uma funcionária, de 42 anos.

Os óbitos resultantes do surto no lar começaram com a morte de um utente com cerca de 70 anos (no dia 24) e de uma utente de 92 anos (dia 25), a que se juntou na madrugada de quinta-feira o falecimento de uma mulher de 94 anos.

As outras mortes foram de doentes internados no HESE, mais precisamente quatro idosas, de 82 anos (no passado sábado), de 91 e de 89 anos (na segunda-feira) e, outra de 92 anos, na quarta-feira, dia em que faleceu ainda uma funcionária do lar, de 42 anos, igualmente hospitalizada.

Os números dizem respeito a um universo de cerca de 1.650 testes realizados até ao final de quinta-feira, dia em que foram conhecidos os resultados de cerca de 150 testagens.

A partir de hoje, dia em que devem começar a ser realizados os testes de cura, estão previstos também cerca de 30 testes adicionais respeitantes a este surto.

Ainda assim, fonte da câmara contactada pela agência Lusa explicou que as Autoridades de Saúde já contabilizaram "o primeiro caso curado", o de "uma enfermeira" do lar da FMIVPS (pelo que o número de trabalhadores da instituição infetados baixou na quinta-feira de 23 para 22).

A autarquia ativou, na quinta-feira, o Plano Municipal de Emergência para gerir o surto de Covid-19 no concelho, depois de a generalidade de Portugal continental ter entrado em situação de alerta na véspera.

A situação de alerta, aquela em que o país se encontrava antes de ser decretado o estado de emergência em 18 de março, é o nível mais baixo de intervenção previsto na Lei de Bases de Proteção Civil, depois da situação de contingência e de calamidade (mais elevado).

Com a situação no lar, o concelho de Reguengos de Monsaraz regista o maior surto da doença provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 do Alentejo com oito mortos e 142 casos ativos.

Sindicato pede mais enfermeiros

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) apontou a necessidade de o lar de Reguengos de Monsaraz onde surgiu um foco de covid-19 contratar pessoal, em vez de serem colocados profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O facto de serem destacados enfermeiros do SNS para Reguengos de Monsaraz não se pode prolongar no tempo, pois não é a solução que estas instituições precisam. A solução é contratarem pessoal", advertiu a Direção Regional do Alentejo do SEP, em comunicado.

No âmbito da pandemia de covid-19, assinalou o sindicato, a Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, proprietária do lar em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, assim como as restantes instituições, estão "legalmente obrigadas a ter planos de contingência".

Esses planos devem enquadrar medidas sobre recursos humanos para eventuais situações de agudização das necessidades de resposta que exijam mais profissionais, como a que se está a verificar", sublinhou o SEP do Alentejo.

O sindicado dos enfermeiros insistiu que os lares "têm de ter no seu mapa de pessoal o número de enfermeiros adequado para o seu funcionamento", assim como também para "situações mais complexas, como é o caso da pandemia".

Não basta acolher os utentes. É preciso exigir e responsabilizar estas instituições quando não garantem o número de enfermeiros adequado. Os utentes destas instituições têm o direito a serem bem cuidados, com ou sem pandemia", concluiu.

/ AG