Os testes ao novo coronavírus deram positivo em metade das pessoas sem sintomas ou sequer sem contactos de “risco” associados. É o que indica um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Pública, da Universidade do Porto, citado pelo jornal Público.

De acordo com o estudo, houve mais casos confirmados a estas pessoas do que aquelas que apresentaram sintomas associados ao novo coronavírus.

Por cada caso sintomático, haverá quatro, cinco ou talvez mais casos de infeção que passam sem sintomas”, conclui Henrique Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública.

Um dos indicadores que pode adiantar esta situação, de acordo com o presidente do Instituto de Saúde Pública, é o facto do número de infetados entre a população ser muito superior aos casos confirmados.

De acordo com o Público, que apoia o estudo, as pessoas que apresentam os sintomas mais frequentemente associados à Covid-19 (febre, tosse ou dificuldade respiratória) não são aquelas com mais diagnósticos positivos. A maior proporção de testes positivos ocorreu entre pessoas que nunca chegaram a manifestar qualquer sintoma nem tiveram qualquer contacto com casos suspeitos ou confirmados.

O estudo resulta da leitura dos resultados aos inquéritos feitos a uma amostra 11.125 indivíduos. Destes, 8613 pessoas declararam nunca ter tido contacto pessoal com casos suspeitos ou confirmados de covid-19 nem desenvolveram quaisquer sintomas. Cento e oitenta e sete decidiram, contudo, fazer o teste, por circularem mais de transportes públicos, por exemplo. O resultado foi surpreendente: desses 187, apesar de não apresentarem qualquer sintoma, 48,7% estavam infetados.

Para o epidemiologista Henrique Barros, a lição mais plausível a retirar destes números é que o número de infetados entre a população portuguesa é muito superior aos casos confirmados.

HenriqueHenrique Barros defende que o país tem de ser mais liberal na realização destes testes de rastreio e diagnóstico: “No início, éramos muito mais críticos e seletivos com a realização dos testes, de acordo com o que sabíamos sobre o coronavírus e com a disponibilidade dos testes, que era menor, mas é importante que agora sejamos muito mais liberais. Se fizermos mais testes, vamos encontrar mais gente positiva e isso vai contribuir para ‘segurar’ melhor as cadeias de transmissão."