Os hospitais de Penafiel e Amarante não têm qualquer médico em permanência durante a noite para assistir doentes internados com covid-19, que chegam a ser centenas nestas unidades hospitalares. 

De acordo com uma investigação do jornal Público, o hospital de Penafiel, onde estão actualmente 130 internados com o novo coronavírus, não tem um único médico em permanência, sendo que a necessidade de prestar assistência a um doente durante a noite é cumprida por um médico de urgência. 

Este sistema foi utilizado em Penafiel para atender perto de 800 doentes num só dia, já durante a segunda vaga de pandemia.

O mesmo acontece no hospital de Amarante, onde estão internados neste momento mais de 50 doentes com covid-19. Segundo o Público, esta prática já era comum nos internamentos pré-pandemia.

Ouvidos pelo jornal, médicos sublinham que há doentes infetados que entram em descompensação de forma rápida, existindo a necessidade de uma intervenção célebre.

Por esta razão, nos hospitais onde há apenas um especialista e um interno em permanência durante a noite para acompanhar quase 100 doentes com covid-19, vários médicos pediram declarações a isentarem-se de responsabilidades por estarem a trabalhar em condições que consideram não ser adequadas. 

No hospital de Gaia ocorreu precisamente isto, com cerca de uma dezena de pneumologistas a assinarem as declarações.

Em resposta ao Público, a administração do hospital de Gaia garante que esta situação “não coloca em causa a segurança dos doentes internados”, sublinhando que existe uma equipa de emergência interna, que pode prestar apoio se dois doentes precisarem de assistência em simultâneo.

Já no Hospital de Santo António o rácio é menor: há 122 doentes distribuídos por quatro enfermarias que estão a ser assistidos por um especialista e um interno durante a noite.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde admitiu na quarta-feira preocupação com a pressão que os hospitais públicos estão a sentir, nomeadamente no Norte, devido à pandemia de covid-19. 

Em declarações aos jornalistas no hospital de Penafiel, António Lacerda Sales falou da “rede expansiva e elástica” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) português, garantindo que “quando há necessidade é possível transferir de um local para o outro”, mas sem dar números ou avançar com medidas concretas.